A fruticultura paranaense cresce a passos lentos, porém sustentáveis. Os números do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura (Seab) apontam a evolução das culturas no Paraná. Em 1995, as áreas dedicadas às frutas giravam em torno de 57 mil hectares e atualmente estão estabilizadas em 70 mil hectares, um crescimento de 22,8%.
Graças a atuação de grandes cooperativas, a produção de laranja continua na liderança do ranking. Em 2011, no último levantamento divulgado pelo Deral, a área utilizada foi de 25,5 mil hectares e produção de 768 mil toneladas. Já a banana ficou em segundo lugar, com área de 11,3 mil hectares e produção de 269,4 mil toneladas. Entretanto, enquanto a laranja vem numa evolução de área e produção desde 2007, a banana está estabilizada nos mesmos números neste mesmo período.
Na sequência, com áreas e produção bem menos significativas, estão a uva – área de 6,1 mil hectares e produção de 104,9 mil toneladas –, a maçã (1,9 mil hectares e 58,2 mil toneladas ), o pêssego (1,4 mil hectares e 17,8 mil toneladas) e o morango, com 570 hectares e produção de 16,2 mil toneladas.
De acordo com o engenheiro agrônomo do Deral responsável pelo levantamento, Paulo Andrade, o Paraná tradicionalmente não é um Estado produtor de frutas. "Após a geada de 1975, o Estado acabou focando na produção de grãos e cereais", relata ele.
Apesar da alta renda por área oferecida ao produtor, o plantio de frutas esbarra na demora para que o investimento comece a dar retorno. No caso da laranja, por exemplo, são quatro anos até que o citricultor inicie a comercialização de forma efetiva. "Além disso, o investimento é alto em maquinário, por exemplo. Daí vem a importância do associativismo entre os que apostarem nas frutas", explica Andrade.
Um outro fator que faz com que o Paraná cresça a passos lentos é a concorrência com São Paulo, que apesar de ser um grande consumidor, também possui fruticultores com grande escala de produção, principalmente laranja e maracujá. "O Paraná tem grande competência nos grãos e cereais, mas dificilmente vai alcançar este mesmo patamar na fruticultura. Isso é uma característica do próprio Estado", complementa o especialista.
Para o desenvolvimento da fruticultura no País e claro, no Estado, um dos gargalos que necessita de atenção é o aumento do consumo do mercado interno que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, não chega a 400 gramas diárias para frutas e hortaliças. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), aponta que as frutas, verduras e legumes correspondem a apenas 2,3% das calorias totais ingeridas pela população brasileira. (V.L.)

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