Araucária pode ser uma boa oportunidade de negócio
O pesquisador Edilson de Oliveira da Embrapa Florestas revela que a araucária é uma das árvores que melhor retém carbono da natureza. Além disso, segundo ele, a partir do 20º ano a planta começa a produzir pinhão, oleaginosa que pode servir como uma nova fonte de renda para o produtor. ''A planta traz benefícios ao produtor a curto e longo prazos'', assinala.
Segundo Oliveira, a validade de um contrato de negociação de créditos de carbono dura cerca de 21 anos. Nesse período, tempo de desenvolvimento da árvore, a empresa que irá comprar o carbono fica encarregada de pagar uma anualidade ao produtor. ''Quando o contrato acaba, e o envio de recurso da empresa cessa, o produtor continua ganhando, mas desta vez por meio da venda do pinhão'', ressata Oliveira.
Com o projeto de comercialização de créditos de carbono da transportadora Loga Logística, por exemplo, o produtor recebe R$ 5 ao ano por árvore. ''A cada 200 araucárias plantadas, o produtor chega a receber R$ 1 mil.''
O pesquisador da Embrapa Floresta explica que cada árvore de araucária de 20 anos, por exemplo, chega a sequestrar durante esse período, cerca de uma tonelada de CO2. Em 40 anos, assegura ele, essa mesma árvore retém 1,8 toneladas. Já em uma araucária isolada, completa Oliveira, a captura de carbono é ainda maior, cerca de três toleladas a mais por árvore. O fato para a ocorrência desse fenômeno, explica Oliveira, é devido à maior exposição aos raios de luz solar e pela maior quantidade de nutrientes do solo que é disposta a essa araucária isolada.
Porém, sempre há ressalvas. Oliveira explica que o cultivo dessa árvore não é recomendado em regiões muito quentes, como na região Norte do Estado. O especialista da Embrapa sublinha que uma opção seria a extração de carbono por meio de espécies nativas. Para a região, o pesquisador revela que há uma gama de variedades que pode substituir a araucária. Uma delas é a peroba rosa. Essa madeira, segundo ele, tem alto potencial de retenção de carbono. Oliveira destaca que a comercialização de crédito de carbono é uma tendência. Logo, afirma o especialista, muitos produtores poderão negociar carbono até mesmo entre eles. (R.M.)





