Arapongas celebra produção de ovos e abacate
De acordo com prospecto, 80 produtores associados, especialistas e gestores de empresas que fazem parte da cadeia avícola, devem fomar plateia
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sábado, 09 de agosto de 2025
De acordo com prospecto, 80 produtores associados, especialistas e gestores de empresas que fazem parte da cadeia avícola, devem fomar plateia
Lúcio Flávio Moura - Especial para a FOLHA 

A riqueza gerada pelos agricultores é motivo de celebração em Arapongas na próxima semana.
A 9ª Festa do Ovo e do Abacate movimenta uma das comunidades rurais mais emblemáticas do Norte do Estado, território ocupado por uma corrente migratória formada por japoneses católicos vindos da região do Baixo Tietê (SP) em 1935, episódio que ajudou a impulsionar a divulgação e a venda de lotes da Companhia de Terras, asseverando os predicados do solo e do clima, os mesmos que hoje fazem do Paraná uma potência agrícola.
A Colônia Esperança, localidade que fica a 20 minutos de carro do centro de Arapongas, comemora 90 anos de fundação ainda com a presença marcante dos católicos.
Na próxima sexta-feira à noite (dia 15), o bispo da Arquidiocese de Apucarana, Carlos José de Oliveira, prestigia o evento e celebra uma missa de ação de graças na igreja da comunidade para exaltar a efeméride, eternizada numa placa que será descerrada em solenidade após a missa.
Além de comida farta na praça de alimentação, a festa terá shows musicais, apresentações de grupos dedicados à cultura japonesa, teatro de bonecos e sessões de karaokê. No sábado e no domingo, a programação segue nos três períodos. Os organizadores, a Prefeitura e o Mosteiro Sagrado Coração de Jesus, aguardam a circulação de 10 mil pessoas no local de sexta à domingo.
Para muita gente, a principal novidade é o funcionamento de um mosteiro na comunidade. Ele abriga um grupo de oito irmãs dedicadas à vida contemplativa e reclusa, vindo de uma congregação religiosa fundada no México chamada Missionárias Servas da Palavra. O espaço é encarado como de potencial para o turismo religioso e a prefeitura já fez um projeto enviado ao governo do Estado para melhorias na infraestrutura de recepção da colônia, que prevê até um Centro de Convenções no local.
ENCONTROS TÉCNICOS
O fim de semana em Arapongas também abriga dois eventos técnicos importantes. Na manhã de quinta (14) , será realizado o 4º Encontro dos Produtores de Abacates, com uma programação de palestras e debates organizada pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR) na sede do Instituto de Previdência, Pensões e Aposentadorias dos Servidores de Arapongas, na Rua Arataiaçu. Na sexta, a Associação Paranaense de Avicultura realiza no Teatro Mauá, o 4º Seminário da Apavi, com início às 8h e encerramento no fim da tarde. Os dois eventos são gratuitos mas exigem inscrição prévia.
De acordo com o prospecto do seminário, 80 produtores associados, especialistas e gestores de empresas que fazem parte da cadeia avícola devem formar a plateia das apresentações , que inclui a palestra magna do ex-ministro de Minas e Energia e ex-presidente da Petrobras no governo do presidente Ernesto Geisel, Shigeaki Ueki, por coincidência um descendente de japoneses nascido no mesmo ano da Colônia Esperança, que fará reflexões sobre liderança, desenvolvimento e os desafios do agronegócio brasileiro.
Mulheres com prestígio na cadeia também estarão em Arapongas: a presidente do Sindicato Rural de Bastos (SP) - município nacionalmente pela grande produção de ovos situado na região de Marília - e presidente da Câmara Setorial de Ovos e Derivados do Estado de São Paulo, Cristina Nagano; e a auditora do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), referência nacional na fiscalização da cultura do ovo, Nilbea Regina Silva.
Outro tema a ser tratado no seminário é a integração da fruticultura e avicultura, que será abordado pelo empresário Fumio Hiragami, um dos grandes produtores de maçã da Serra Catarinense. Outros assuntos estarão nos debates, como os impactos e as medidas preventivas em relação à influenza aviária e o uso eficiente do fósforo na alimentação de aves. Há espaço também para homenagens oficiais da Assembleia Legislativa a produtores da região, que receberão títulos de moção de aplauso de deputados estaduais.
OVOCULTURA
O momento na cultura do ovo mistura dados promissores e movimentos externos preocupantes, uma combinação que ressoa nos polos de produção do Paraná, o principal deles em Arapongas, município da Região Metropolitana de Londrina que produziu mais de 36,2 milhões de dúzias no ano passado.
A modalidade de ovos para consumo humano rendeu mais de R$160 milhões, fatia de 27,5% de todo o Valor Bruto de Produção do município, responsável por 15% da produção estadual e capaz de empregar diretamente quase mil trabalhadores em dez granjas.
Os dados promissores divulgados pelo Departamento de Economia Rural da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento mostram que os preços tiveram uma variação positiva tanto para produtores, atacadistas e varejistas no primeiro semestre.
De acordo com o boletim, em junho de 2025, o preço médio do ovo tipo grande ao produtor atingiu R$158,88 por caixa de 30 dúzias, aumento de 13,6% em relação a janeiro e 10,8% em relação a junho de 2024. Em seis meses, a evolução no preço do atacado chegou a quase 18%.
O Deral lembra que no primeiro mês do segundo semestre, o viés se inverteu, efeito de um acesso mais barato dos consumidores a outras proteínas animais, como carne e peixe. Os preços de julho encolheram em relação a junho, 4,5% nas granjas, 3,9% no atacado e ainda mais no varejo (7,6%).
No entanto, o analista do departamento, Roberto Carlos Andrade e Silva, acredita que existe sim uma tendência de valorização contínua do produto porque a base de consumo deve se manter estável, sem que a oferta consiga acompanhar a demanda, o que foi justamente o motivo da valorização em 2025.
A rentabilidade também teve desempenho positivo no primeiro semestre, em um cenário de preços de ovos em alta e insumos como soja e milho com custo variável. “O poder de compra na avicultura de postura no Paraná mostrou uma melhora significativa em relação a junho do ano passado”, afirma o relatório.
“Para adquirir uma tonelada de milho, foram necessárias 6,6 caixas de ovos, uma otimização de 2,9% em comparação às 6,8 caixas exigidas no mesmo período do ano anterior. A melhora foi ainda mais notável para o farelo de soja: em junho de 2025, apenas 11,4 caixas de ovos foram suficientes para comprar uma tonelada do insumo, uma redução de 29,2% frente às 16,1 caixas demandadas em junho de 2024. Isso indica uma maior margem para o produtor”, explica.
Em relação aos movimentos externos preocupantes, estão as questões que envolvem possíveis embargos sanitários e a nova política tarifária do governo dos EUA, ainda de efeitos incalculáveis para o balanço anual.
Andrade, no entanto, lembra que as exportações de ovos significam uma parcela ínfima parcela da produção, ao redor de 1%.
A internacionalização do comércio na cultura é uma aposta antiga, com crescimento discreto apesar dos esforços.
O quadro mudou com um boom iniciado nos últimos semestres, alimentando novas expectativas.
Com países consumidores lidando com os casos da influenza aviária, descartando planteis e destruindo produção, o Brasil começou a se tornar um fornecedor mais presente, aproveitando a presença internacional de grandes empresas brasileiras no setor de proteínas.
De acordo com dados do Agrostat Brasil/MAPA, o volume exportado atingiu impressionantes 33.464 toneladas (entre janeiro e junho, um aumento notável de 46% em comparação com as 22.925 toneladas registradas no mesmo período de 2024).
Este avanço se refletiu diretamente no faturamento, que saltou 27,6%, totalizando US$106,205 milhões em 2025, frente aos US$83,242 milhões de 2024.
São Paulo registrou alta de mais de 20%, mas os novos grandes fornecedores externos, Mato Grosso e Minas Gerais, registraram índices de crescimento bem mais vigorosos, respectivamente 433% e 2.286%.
De acordo com analistas ouvidos pela reportagem, o Paraná tem esbarrado em políticas de isenção fiscal de estados concorrentes, mesmo com status sanitário vantajoso, para participar desta escalada.
Outro fator seria a falta de uma indústria processadora de ovos, o que dificulta a entrada em alguns mercados, e a ausência de integração das cadeias produtivas. Com isso, as exportações de ovos do Estado tiveram uma retração de 38,4% no volume e 28,5% na receita.
Os Estados Unidos despontaram como o principal destino no período, importando 15.224 toneladas no primeiro semestre e gerando uma receita de US$33,178 milhões, contra apenas 1.129 toneladas e US$1,965 milhão do ano anterior.


