Aqui da minha varanda

Desse espaço de minha casa tenho uma visão privilegiada. De dia, a perspectiva é de um horizonte longínquo, quase infinito, em que o cenário se apresenta azulado e meio esfumaçado, quase que uma miragem em que a cerração distorce formas.
Desse modo, a movimentação que vejo é pouca, ficando visíveis apenas o ondulado dos campos e as plantações coesas que se apresentam nos mais diversos tons da cor verde em formas diferenciadas.
Porém, à noite, a amplidão dessa mesma área se transforma sendo possível visualizar muitos mais sinais de vida.
Dentro do negrume noturno observo, à minha direita, a presença do Distrito de Warta (nome adotado por ser de um rio da Polônia). Na mesma direção geográfica, mas à minha esquerda, percebo a presença do município de Bela Vista do Paraíso (união do povoado Bela Vista com a localidade Paraíso).
O manto noturno ressalta, por contraste, a vida que acontece nesses espaços e em seu entorno. Assim é que, apesar do negrume, é possível eu distinguir carros que delineiam as serpenteantes estradas. O movimento se forma por conta das luzinhas amarelas que "correm" tal qual fosse imenso colar de contas amarelas em movimento.
E mostram mais.
Vislumbro ali a existência das duas mãos da rodovia porque à direita desse colar algumas luzes vermelhas seguem indo, enquanto que à minha esquerda, às vezes, uma ou outra luzinha amarela sai do percurso do "rosário" e foge para a direita ou esquerda, o que significa que pegaram estrada para sítio, fazenda, etc.
O contrário, de algumas outras luzinhas se incorporarem ao colar, também ocorre.
Dentro do véu de escuridão, avisto, nos núcleos que deduzo serem as duas localidades, muitas luzes amarelas, estáticas, em linhas retas e paralelas e outras, ainda, dispersas, parecendo indicar o aglomerado do grosso central da povoação do distrito e da cidade.
Em alguns lugares, um pouco afastados desse panorama, em tempo de plantio ou de colheita de safra, vejo luzinhas amarelas que traçam um ziguezagueado incessante de lavra, o que indica serem máquinas agrícolas a trabalharem o solo ou a coletarem os frutos do trabalho dos agricultores, bem ao contrário daquilo que o dia me possibilita ver.
Tudo aquilo que vislumbro de dia ou de noite me leva a ficar muito tempo observando da varanda, coisa que me deleita e faço muitas e muitas vezes, porque sempre há coisas novas dignas de serem notadas nesse incessante processo vital.
Marina I. B. Polonio, leitora da FOLHA





