Aprosoja-PR: safra não deve atingir 19 milhões de toneladas

Diferentemente do Deral, a Aprosoja-PR (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Paraná) não acredita que a safra deste ano ultrapassará a casa das 19 milhões de toneladas. E isso está justificado nos 20 dias de atraso no plantio devido a seca e durante os trabalhos a dificuldade de aplicação de fungicidas para o controle da ferrugem asiática.
O vice-presidente da entidade, José Sismeiro, trabalha com uma área de 700 hectares nas cidades de Goioerê, Juranda e Manoel Ribas. Para ele, a safra 17/18 continua uma incógnita e os primeiros produtores que entraram com máquinas no campo esta semana ficaram bem insatisfeitos com os resultados. "As primeiras áreas foram justamente aquelas que a seca pegou no início do plantio. A partir de agora é que vamos começar a medir a produtividade daquelas plantadas no início de outubro."
Nas contas de Sismeiro, a produtividade da região Oeste/Noroeste até agora varia entre 3.300 a 3.480 quilos por hectare (55 a 58 sacas por hectare). Só para se ter uma ideia, a média da safra 2016/17 fechou em 3.762 quilos por hectare (mais de 62 sacas). "Temos que deixar claro também que ano passado tivemos uma supersafra. Agora teremos uma safra boa, sem explodir de produtividade", explica o produtor.
Com esses níveis na colheita, Sismeiro acredita que os produtores precisem vender a oleaginosa a pelo menos R$ 70 a saca, para compensar os custos de produção, principalmente com fungicidas. "Tivemos áreas que atingiram cinco a seis aplicações de fungicidas multissítios, contra uma média de três aplicações do ano passado. Sem contar os herbicidas caros para controlar o amargoso e a buva."
Por fim, a Aprosoja-PR também demonstra preocupação com o milho safrinha, que está muito atrasado quase 30 dias. No Oeste, o cereal já deveria estar com 60% a 65% da área plantada. Até agora os percentuais são irrisórios. "O milho safrinha plantado em janeiro é o que expressa o maior potencial produtivo, porque ele precisa de sol, de luz. Além disso, aumenta o risco de geada, que já tivemos inclusive em Córdoba, na Argentina." (V.L.)





