Apresentação caprichada vende mais
Comercialização e preços melhores para o produtor que descasca, lava e embala a mandioca
Cristina Côrtes
A rentabilidade de alguns produtores de mandioca de mesa da região de Londrina está maior, depois que eles começaram a agregar mais valor ao seu produto com o processamento mínimo das raízes que facilita e estimula o consumo. O preço do quilo da mandioca com casca vendida a granel varia entre R$0,10 e R$0,15, e depois de descascada, lavada e embalada o preço em média chega a R$0,60 o quilo.
Para a bióloga Liliam Azevedo Miranda, que trabalha com pesquisa de mandioca e também é produtora, a lavoura só se tornou viável depois que começou a comercializar o produto embalado. Embalar produtos hortifrutigranjeiros parece ser uma tendência que veio para ficar, diz Lilian, porque além de proteger, estimula o consumidor a comprar por ter um visual mais bonito.
No caso da mandioca, a bióloga está fazendo estudos sobre rendimento e tempo de cozimento e identificando variedades que possam ter mais tempo de prateleira. Lilian tem mestrado em Genética e Melhoramento pela Universidade Federal de Viçosa e atualmente é aluna do doutorado em Ciência de Alimentos, na Universidade Estadual de Londrina.
Fonte de rendaA mandioca é uma das principais fontes de renda de pequenos produtores da região de Londrina. O Brasil é o maior produtor mundial e o Paraná é o maior produtor nacional. Originária da região amazônica, foi difundida em todo o território e em outros continentes como a África, onde é largamente consumida. Tanto as raízes quanto as folhas, ricas em proteínas, são fontes muito importantes na alimentação. Segundo Lilian, a mandioca é a maior fonte e energia comestível por hectare, superior ao milho, arroz e trigo.
A falta de uma padronização no cozimento, o sabor e manipulação do produto com casca têm restringido o aumento do consumo da mandioca de mesa, segundo avaliação de Lilian. Pesquisas realizadas por melhoristas desde tipo específico de mandioca, têm apresentado dificuldade na distinção entre diferentes cultivares, quanto ao tempo de cozimento, porque há uma considerável variedade entre plantas da mesma cultivar, assim como entre raízes da mesma planta.
Além das boas qualidades culinárias, a mandioca deve apresentar um bom rendimento para o agricultor. Lilian fez um levantamento das cultivares plantadas com maior frequência e regularidade pelos produtores da região de Londrina. As principais são catarina amarela, catarina branca, mato grosso, iapar 19 pioneira e pretona. Pesquisou-se também a IAC 576-70, cultivar de mesa recomendada pelo Instituito Agronômico de Campinas para o Estado de São Paulo.
AvaliaçãoPara avaliar o tempo de cozimento, foi feita uma adaptação do aparelho de Mattson, desenvolvido para testar tempo de cozimento de ervilha, soja e feijão. Lilian explica que até então os trabalhos desenvolvidos nesta área não tinham uma aferição científica. ‘‘A verificação era feita com um simples garfo espetado na raiz depois de cozida. Este tipo de teste leva a erros, porque depende da força de cada pessoa’’, explica Lilian. Entre as cultivares pesquisadas, a catarina branca apresentou os melhores resultados, em termos de rendimento da parte comestível. A pesquisadora considerou o peso da parte realmente aproveitada para cozimento depois de descascada e retiradas as pontas. Reunindo as qualidades de alto rendimento percentual e bom tempo de cozimento, seu plantio é recomendado para comercialização das raízes minimamente processadas, com ponto de colheita de 16 meses. A cultivar iapar-l9-pioneira apresentou rendimento percentual inferior aos das outras cultivares, devido à grande quantidade de parte lenhosa de suas raízes. Em todas as épocas de colheita, mostrou sempre um tempo de cozimento reduzido, o que torna esta cultivar recomendável para o produtor que comercializa o produto durante o ano inteiro.
Os resultados dependem também da idade em que as plantas são colhidas. Algumas cultivares, como catarina amarela e catarina branca, atingem o máximo de rendimento aos 16 meses. A mato grosso e a pretona mostraram melhor rendimento aos 12 meses, enquanto a pioneira e IAC, aos 14 meses. Os resultados deste trabalho serão apresentados no Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia de Alimentos, que será realizado de 14 a 17 de julho no Rio de Janeiro.

mockup