Rio - O Plano de Apoio Conjunto à Inovação Tecnológica Agrícola no Setor Sucroenergético (Paiss Agrícola), lançado em fevereiro passado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), chega ao final do ano com 35 projetos enquadrados de 29 empresas, totalizando quase R$ 2 bilhões. O valor supera a dotação prevista inicialmente pelo programa, de R$ 1,48 bilhão - anunciou esta semana, em seminário no Rio de Janeiro, o diretor da Área Industrial do banco, Julio Cesar Maciel Ramundo.

Segundo Ramundo, 2014 termina com quatro plantas de etanol de segunda geração aprovadas pelo BNDES e Finep, dentro do programa. "Este talvez seja o símbolo desta política", manifestou. Ele lembrou que há três anos o Brasil, apesar de ser o detentor da melhor produtividade na área de combustíveis renováveis líquidos no mundo, não tinha iniciativas de destaque na tecnologia para o etanol de segunda geração.

Os projetos do Paiss Agrícola têm cinco linhas, que vão da adaptação de máquinas até a transgenia, que é o desenvolvimento de novas variedades de cana, passando por sistemas integrados de manejo, planejamento e controle da produção - técnicas mais ágeis e eficientes de propagação de mudas e adaptação de sistemas industriais para culturas energéticas compatíveis ou complementares com o sistema agroindustrial do etanol produzido a partir da cana-de-açúcar.

O diretor do BNDES salientou ainda a importância da cana para a produção de combustíveis renováveis e também para a área química. Apesar disso, tem pouca expressividade no mundo, sendo um fenômeno tipicamente brasileiro. "Não havia, por parte das grandes multinacionais, visibilidade para a cultura da cana. Se o Brasil não desenvolvesse essa alternativa por si só, ela não viria a ter liderança, de forma alguma. Como país agrícola, a gente pretende dar impulso enorme nos próximos anos".

Para o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, o desafio colocado pela sociedade é obter ganhos de produtividade, com a criação de políticas públicas que permitam ao setor sucroenergético levar para o campo as tecnologias inovadoras que garantam melhorias de produtividade e rendimento. "Com isso, o Brasil voltará a ter produto de boa qualidade, bom preço e aceitação para a sociedade brasileira".

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