Aplicação, só no lugar correto
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sexta-feira, 07 de julho de 2000
Cláudia Barberato De Londrina 
Todo tipo de vacina e medicamentos devem ser aplicados somente na tábua do pescoço e, em alguns casos, atrás da paleta do bovino, para não comprometerem a qualidade e o rendimento da carcaça. A indicação é do veterinário paulista Élio Moro. Segundo ele, no Brasil a estimativa é de que a perda por aplicação incorreta de medicamentos e vacinas ultrapasse os US$11 milhões por ano.
Um estudo americano indicou que as injeções em lugares incorretos provocam a perda não só do local da agulhada, mas em volta, prejudicando até 7 centímetros de porção de carne.
PrejuízosOs prejuízos anuais com a aplicação incorreta nos Estados Unidos chegam a US$55 milhões e, no Canadá, a US$17 milhões. A estimativa de perdas no Brasil foi feita, segundo Moro, com base num trabalho desenvolvido por ele e outro veterinário, João Otávio Bastos Junqueira, em algumas regiões do País.
O trabalho foi realizado em alguns frigoríficos dos Estados de Rondônia, Mato Grosso do Sul, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, São Paulo e Rio Grande do Sul.
Para o diagnóstico feito pelos veterinários, foram examinados 500 animais por frigorífico, num total de 4 mil carcaças. Os resultados demonstraram que 2.744 animais (68,6%) apresentaram uma ou mais lesões. O total de lesões somou 3.225, com perda de carne por lesão de O,345 kg; perda de carne por animal de 0,406 kg; e a eliminação de carne nos 2.744 animais com lesões, no total de 1.112,79 kg.
A perda acontece no rendimento das carcaças e também na qualidade da carne produzida. Na inspeção veterinária dos frigoríficos, quando encontram lesões na carcaça dos aninais os veterinários têm que limpar não só a área lesada da carne, mas uma boa parte em volta, retirando o material e fazendo com que haja perda na quantidade de carne. A carne em volta da reação pode endurecer e perder a maciez.
Grande parte dos pecuaristas tem feito o manejo errado na hora de aplicar vacinas ou medicamentos. Enquanto o recomendado é fazer as aplicações no pescoço, tem muita gente aplicando no entrecorte, atrás do cupim, no cupim, na picanha e na região lombar dos animais. Qualquer produto deve ser aplicado na tábua do pescoço do animal, adverte o veterinário.
Bife duroMuitas vezes, no momento da aplicação com o uso de uma agulha comprida, não é possível verificar, na linha de abate, a lesão no animal. Mas, a consequência de aplicação no lugar errado, vai aparecer, mais tarde, na mesa do consumidor, quando tentar cortar o bife.
Até pouco tempo, segundo Moro, os problemas no local das injeções eram considerados apenas como lesões inevitáveis. Estudos recentes demonstraram que a maciez da carne é afetada nas regiões ao redor dos locais das injeções. A maciez pode ser prejudicada até mesmo quando não se consegue detectar a lesão.
Aviso na bulaOs medicamentos têm dois tipos de adjuvantes (auxiliares), os solúveis e os insolúveis. Segundo o veterinário, apenas os solúveis em água apresentam rápida dispersão no local da injeção e, por isso, não causam irritação crônica da carne. Os oleosos, no entanto, são os principais responsáveis pelas lesões.
Um experimento americano, segundo Élio Moro, usando sete produtos, inclusive solução fisiológica estéril, testou medicamentos e vacinas em 120 bezerros ao desmame. As injeções foram aplicadas nos músculos traseiros (alcatra e coxão). Todas as formulações, inclusive solução fisiológica, causaram algum tipo de lesão no local da injeção.
Algumas indústrias da área de saúde animal já recomendam que se selecionem e usem produtos de forma a diminuir os riscos com a perda da qualidade da carne. O objetivo é proporcionar produtos seguros e eficazes, para manter os animais saudáveis e em condições de desenvolverem seu pleno potencial genético. A indústria pode indicar a melhor via de aplicação de seu produto. Indicar na bula de seus produtos que estes não sejam aplicados via intramuscular em cortes nobres, afirma Moro.
O veterinário afirma que tradicionalmente vacinas contra clostrídeos e antibióticos sempre foram considerados os maiores causadores de reações locais nos animais. Novas vacinas e antibióticos já foram desenvolvimdos e estão disponíveis no mercado exatamente para que não haja perda de carne ou qualidade.


