Jota Oliveira
De Londrina
A colheita da atual safra está atrasada, faltando tirar da terra 15% da mandioca paranaense, principalmente nas regiões de Paranavaí, Umuarama, Campo Mourão e Toledo, onde há maior concentração de indústrias (farinheiras e fecularias), e deverá terminar em meados de dezembro.
O economista Methodio Groxko, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, disse que o plantio da safra 99-2000 deve chegar a 185.000 hectares, ou seja, de 9 a 10% superior aos 171.000 ha plantados em 98.
Preços estimulantesDevido ao clima (falta de chuva), houve necessidade de replantio em Umuarama e Paranavaí, mas os preços são estimulantes, devido ao retorno que dão. Uma tonelada de raiz de mandioca é vendida em média por R$75,00, mas alcança até R$85,00, enquanto o custo de produção é estimado em R$45,00. As indústrias pagam por isso, porque os derivados também estão com preços bons, como a farinha, vendida no atacado a R$15,00-R$17,00 a saca de 50 quilos.
A coordenadora do Deral, engenheira-agrônoma Vera Zardo, lembra que a produção de mandioca foi beneficiada por uma sequência de quatro anos de bons preços. E o melhor desses anos é 1999.
De outro lado, começou o ataque do mandorová, principal praga da mandioca. O controle biológico dessa lagarta pode ser feito a custo zero, com baculovirus, porém a maioria dos produtores não utiliza esse recurso.
O Paraná tem cinco regiões grandes produtoras de mandioca, onde se localizam as indústrias. A principal delas é a de Paranavaí, no Noroeste, que na safra 99-2000 deve plantar 84.000 hectares e colher 800.000 toneladas. A segunda maior região é a de Umuarama, com previsão de 35.000 ha e colheita de 675.000 toneladas, seguindo-se as regiões de Toledo (24.900 ha; 620.000 t), Campo Mourão (21.000 ha; 357.000 t) e Cascavel (19.000 ha; 494.000 t).
No ano passado o Paraná produziu 3,5 milhões de toneladas e para a próxima safra são esperados de 3,6 a 4 milhões de toneladas.
Mandioca x terraCom retorno de até 100% do investimento, o produtor de mandioca pode, no fim da safra, comprar terra, se for arrendatário, ou aumentar sua área, se já for proprietário. Aos preços de hoje, obtendo R$5.000,00 por alqueire, e tendo custo variável estimado em R$1.805,00 o alqueire, o mandiocultor consegue renda líquida de R$3.195,00, enquanto um alqueire no arenito de Umuarama está valendo cerca de R$4.000,00, O economista Ático Luiz Ferreira, do Deral em Umuarama, afirma que ‘‘a mandioca é o produto que dá maior rentabilidade’’. Ele acredita que em janeiro a tonelada da raiz estará valendo no mínimo R$85,00. ‘‘A esse preço, com o retorno de uma tonelada, dá para comprar um alqueire, que na região está sendo cotado em média a R$4.000,00. O produtor recebe R$5.000,00 por alqueire de mandioca. enquanto a despesa calculada por agricultores fica em torno de R$2.000,00.
Tempo para replantarEm Paranavaí, o administrador de empresas e técnico agrícola do Deral, Vítor Inácio D. Lago, observa que a estiagem atrasou o plantio da safra 99-2000 e obrigou os lavradores a replantarem algumas áreas. No entanto, a mandioca pode ser plantada até dia 15 deste mês. (na região de Paranavaí o plantio começa em julho).

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