Apesar da crise, produtor deve investir, diz técnico
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sexta-feira, 16 de agosto de 2002
Cláudia Barberato<br> Reportagem Local 
O recado do economista Eduardo Pereira de Carvalho, aos pecuaristas ao Simpósio Nelore 2002, na semana passada em Ribeirão Preto (SP), não foi nada animador. A experiência do economista na presidência da União da Indústria Canavieira (Única) de São Paulo, mostrou aos pecuaristas um cenário obscuro para a conjuntura econômica brasileira depois da alta do dólar.
Embora a situação econômica afete diretamente quem está hoje na produção de carnes, Carvalho aconselhou aos pecuaristas que não se sintam tentados a pararem seus investimentos no setor. Para ele, o agronegócio brasileiro, ao contrário de outros setores da economia do País, se apresenta hoje como uma das melhores alternativas para a geração empregos e renda, investimentos e divisas para o País.
O governo, brincou o economista, tem ''sorte'' que o agricultor e o pecuarista desse País não têm muito tempo para ler aos jornais ou assistir aos noticiários de manhã e saem cedo para cuidar dos seus negócios; porque senão a ''vaca sim, iria para o brejo.''
Mesmo que agropecuaristas continuem fazendo a sua parte, na opinião de Carvalho, é preciso que o Governo faça seu papel na garantia de uma economia mais estável e, mais importante, na abertura de mercados para os produtos da agropecuária.
Por mais que exista a tentação de voltar a vender o boi e aplicar o dinheiro no mercado financeiro ou mandar para os paraísos fiscais, ele insistiu para que os agentes do setor do agronegócio continuem investindo.
Durante sua palestra, perguntado por um pecuarista paranaense sobre o que fazer se a situação é tão feia - vender o boi gordo e aplicar ou comprar bezerros? - o economista foi taxativo: ''Compre bezerros.''
Ele disse ainda que o setor do agronegócio precisa continuar mostrando eficiência para cobrar apoio na quebra de protecionismos e barreiras que impedem o aumento na venda dos produtos brasileiros no mercado mundial.
Para Carvalho, ''é o Governo que tem que sair e brigar por maior espaço para o produto agrícola brasileiro e apoiar também o aumento do consumo interno.'' Ele criticou a ''falta de reconhecimento'' ao agronegócio brasileiro por parte do setor político, não só do atual governo, mas dos candidatos às eleições de outubro. ''Os planos de governo dos futuros candidados são genéricos; seria preciso saber de mais detalhes. Há um certo desconhecimento de como funciona o agronegócio e do que ele representa para o País.''
As alternativas para sair dessa crise econômica, de acordo com o economista, seriam o aumento de impostos e o corte nos gastos do Governo, medidas que não deverão ser tomadas em ano de eleições ou propostas por quem quer conquistar o voto do eleitor em outubro.
Parte deste cenário, na opinião do economista, foi provocado pelo ''temor de que a oposição ganhe as eleições presidenciais este ano.'' Somado a isso, segundo ele, há dúvidas de toda a sociedade de que existam mais instrumentos para acalmar o mercado - ''o Banco Central já fez tudo o que pôde''.
Na verdade, segundo Carvalho, a fragilidade da economia brasileira estava escondida. O País, segundo ele, precisa anualmente de US$ 50 bilhões e tem uma parcela anual da dívida externa entre US$ 30 a US$ 32 bilhões. O País tem, então, que rolar a dívida e conseguir mais um diferencial de US$ 20 bilhões ao ano.


