Aparelho sincroniza cio da fêmea
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de dezembro de 1997
Cláudia Barberato 
Arquivo FolhaFertilidadeAo sincronizar o cio, é possível inseminar e conseguir nova prenhez da fêmeaA Embrapa Pecuária-Sul, localizada em Bagé (RS), desenvolveu um dispositivo, denominado sincrobovi, que permite a indução de ovulação e sincronização de cios em vacas, e ajuda a aumentar a produtividade do rebanho. O trabalho, segundo o pesquisador da Embrapa, José Carlos Ferrugem Moraes, tem objetivo de incrementar o sistema intensivo de produção de bovinos de carne.
Outro objetivo é reduzir os problemas de fertilidade pós-parto de vacas e novilhas. Os índices de baixa fertilidade, normalmente, acontecem em função da inatividade ovariana dos animais que amamentam e da ineficiência alimentar. Isto faz com que as vacas não deêm cio após o parto.
Ganho de tempoO dispositivo é de esponja, tem forma de bucha e seu uso permite uma taxa de prenhez de 65% a 75% em 4 a 5 dias de inseminação artificial. O dispositivo desenvolvido pela Embrapa permite a liberação de progesterona no perído pós-parto, para reiniciar o ciclo estral das fêmeas. Basicamente serve para a sincronização de cio nesta etapa. As vacas, embora não tenham condição, acabam ovulando e ficam aptas a conceber.
O pesquisador explica que o sincrobovi não aumenta ou altera os índices de sucesso da inseminação. Quando se faz inseminação, a taxa de sucesso, fica entre 70% e 75%. Sempre que se manipula o que é natural (a fecundação) pode-se até reduzir um pouco a fertilidade. A vantagem que se tem é o ganho de tempo. No caso do sincrobovi é uma alternativa para facilitar o manejo reprodutivo e não garantia de aumento das taxas de fertilidade. Os maiores especialistas na produção de terneiros ainda são os touros.
As vacas em boas condições sanitárias levam entre 17 e 21 dias para apresentarem cio. Com aquele produto todos os animais conseguem apresentar cio dentro de um período de 5 dias. O disposito facilita o manejo na fazenda, já que é capaz de concentrar cio em período mais adequado, facilitando a mão-de-obra do inseminador. Com isso, o inseminador terá que retomar o trabalho de inseminação dali a 15 dias, por exemplo, apenas para corrigir as falhas.
O intervalo entre um cio e outro se dá entre 17 e 21 dias. A finalidade do sincrobovi é que isso aconteça em menos tempo. Num rebanho de 100 animais, por exemplo, normalmente apenas 4 a 5 vacas apresentarão cio num mesmo dia. Na condição do sincrobovi há possibilidade de todo o rebanho apresentar sinais de cio num mesmo período. Então, ao invés de levar cerca de 17 a 20 dias para inseminar um rebanho de 100 vacas, faz-se todo o serviço em 5 dias, exemplifica o pesquisador.
Outro aspecto fundamental para a atividade pecuária, afirma Moraes, é concentrar a parição dos animais em época mais adequada, em função da forragem que se tem disponível na propriedade (período que estão em melhor condição), para que os animais atinjam melhor condição corporal.
O aparelho também permite, de acordo com o pesquisador, ao sinal do cio das fêmneas, introduzir melhores touros no rebanho; machos melhoradores de características produtivas, através da inseminação. Organiza-se e se facilita-se o manejo dos animais, trazendo benefícios como um todo.
Manejo fácil O sincrobovi é indicado para rebanhos criados no sistema extensivo de cria, onde o dispositivo não representará aumento do custo de produção e ainda facilitará o manejo, com a fertilidade dos animais. É uma alternativa até econômica para baixar os custos de produção, porque concentra o trabalho de inseminação e reduz riscos de falhas nas prenhezes.
Se um veterinário fizer a aplicação do sincrobovi, melhor, garante o pesquisador. Ele alerta que o dispositivo que se coloca na vagina da vaca necessita de alguns cuidados de higiene, a exemplo do que se tem na inseminação artificial. Pessoas com certo treinamento para inseminação artificial também poderão fazer o manejo.
Idéia adaptadaO produto foi desenvolvido a exemplo de outros já consagrados e utilizados na espécie ovina desde 1970. Portanto, não é uma novidade, mas uma tecnologia adaptada. De acordo com o pesquisador, existem produtos semelhantes no mercado internacional, mais caros, que inviabilizariam a adoção no Brasil, pelo alto custo. A idéia da Embrapa é colocar o dispositivo a custos mais baixos, no mercado brasileiro.
Na fase experimental, sem marca, o sincrobovi teve custo de produção de R$1,00. O pesquisador acredita que no mercado, na hora da comercialização, o preço deverá ser em torno de R$2,00 a unidade. Os produtos internacionais similares ao sincrobovi custam entrem U$8,oo e U$12,00 a unidade.
O produto deverá chegar ao mercado antes da próxima temporada reprodutiva dos bovinos. A idéia é ter uma parceria entre Embrapa e empresa privada. Na Região Sul a estação reprodutiva se dá em outubro, e na grande maioria de outras regiões brasileiras, na primavera/verão.


