Apac critica RR em ''carta aberta'' ao Presidente Lula
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sexta-feira, 16 de maio de 2003
Reportagem Local 
Em ''carta aberta'' ao Presidente da República, a Associação dos Cafeicultores do Paraná (Apac) reclama de uma previsão de safra feita, dias atrás, pelo ministro Roberto Rodrigues, da Agricultura. Os números do ministro (50 milhões de sacas em 2004), prejudicam o mercado, segundo o presidente da Apac, o produtor e médico Ricardo Gonçalves Strenger.
Na semana passada ao participar em Londrina do Programa Alerta Geada, com medidas de proteção às lavouras de café, o presidente da Associação justificou a carta e comentou a realidade do mercado cafeeiro, ''que vive o seu pior momento''.
''A cafeicultura brasileria está asséfala. O que nós queremos do governo é que ele seja o ponto de equilíbrio dentro da cadeia do agronegócio café. Hoje a cadeia é desunida, o agricultor é o elo fraco da cadeia. O governo tem que gerir e pôr ordem para que haja harmonia nos negócios'' - afirmou Strenger.
Sobre a previsão do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, de que haverá uma supersafra de café em 2004, o presidente da Apac afirma: ''Eu acredito que o ministro não foi feliz no seu pronunciamento. Essas previsões que ele fez são feitas normalmente por agentes do mercado que têm interesse em derrubar preços e se aproveitar disso. Claro que não foi essa a intenção do ministro''.
Mas todo cuidado é pouco - segundo Strenger - quando algo que possa refletir no mercado. Café é um produto volátil, está sujeito à Bolsa de Nova York. ''Eu só peço ao ministro que seja mais cuidadoso. Deve aguardar as previsões da Conab, que é órgão do governo e utiliza metodologia científica para fazer projeções''.
''Quando o ministro fala da safra de 2004 é um absurdo porque nem sequer terminamos de colher a safra de 2003, nós ainda teremos a florada de setembro que vai corresponder à safra de 2004 e até lá pode ocorrer muita coisa. Portanto, é temerário falar de safra que via ser colhida daqui a dois anos. Só prejudica o mercado''.
''Há seis anos só temos preços baixos. No período, muitos cafeicultores foram à falência - lamenta o presidente da Apac. Também não queremos ficar a mercê de medidas emergências, precisamos de medidas estruturais''.


