Aos poucos, produtores paranaenses superam receio
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sábado, 10 de novembro de 2018
Victor Lopes <br> Reportagem Local 

Num primeiro momento, é difícil pensar que grandes produtores de grãos podem apostar na homeopatia e "deixar de lado" a agronomia mais tradicional e que já está consolidada no mercado há muito tempo. Entretanto, consultores que se capacitaram com os conceitos homeopáticos em vegetais têm conseguido resultados expressivos em áreas de todo o País, com diminuição de custos e resultados importantes em produtividade.
O engenheiro agrônomo e produtor em Colorado, Ricardo Padulla, fez a especialização em homeopatia na UEM e, segundo ele, passou por uma "quebra de paradigmas" após o curso. Ele presta consultoria em diversos estados do País, no Paraguai e - gradativamente - os resultados vão aparecendo. "Na homeopatia muda tudo. Numa fazenda de 500 hectares em Roraima, fizemos um talhão de 25 hectares com homeopatia. Não tivemos diferença na produção comparado ao restante da área e ainda com uma redução de custo de 8 sacas por hectare."
A média no local utilizando zero de defensivos convencionais e apenas compostos homeopáticos ficou em 55 sacas por hectare. Agora, segundo o Padulla, o produtor roraimense está pensando em fazer toda a área dessa forma. "Na homeopatia, não há protocolo fixo. Não olhamos para a praga ou doença, mas sim para os sintomas da planta e aplicamos medicamentos para cada um deles. Junto aos produtos homeopáticos, costumo utilizar também alguns para controle biológico."
Outro ponto interessante citado por Padulla é que com a homeopatia até a forma de trabalhar muda. O volume de preparado é tão menor de determinado medicamento que os produtores até estranham, já que no caso dos defensivos tradicionais o volume é assustador. "Faço parte de um grupo de produtores e consultores de Goiás e o que temos percebido é uma mudança assustadora em nível de Brasil, de grandes áreas tirando todos os defensivos tradicionais."
No Paraná, Padulla comenta que aos poucos os produtores começam a apostar na ciência homeopática. Durante os próximos meses de safra de soja, ele conseguiu que alguns - mesmo que ainda ressabiados - façam pequenas áreas e, assim, vejam os resultados na prática. "Estou preparando medicamentos para trabalhos com soja aqui na região. Rodei algumas áreas e cada uma vai com um composto diferente."
Em Lupionópolis (Norte), Marcos Cândido de Sousa trabalha em 62 alqueires entre área própria e arrendadas. Ele explica que um consultor o convenceu a fazer um talhão de quatro alqueires apenas com produtos homeopáticos, sendo que a aplicação dos compostos deve começar em breve. "Não vamos aplicar nada de defensivos tradicionais. Ainda tenho um receio de acontecer um descontrole (de pragas ou doenças), mas vamos apostar. Se algo sair do esperado, voltamos com os produtos normais."
Apesar de um pouco com o "pé atrás", Sousa se mostra otimista com os futuros resultados e, claro, os menores gastos, porque conhece os cases de outros estados. "É tentador. Se dominarmos essa técnica, até os riscos com a nossa saúde diminuem. Além disso, é menos produto químico no meio ambiente. O conceito de agricultura está mudando e precisamos acompanhar essa evolução", complementa o produtor, que teve média de três aplicações de fungicidas e duas de inseticida na safra passada. "Já cheguei a fazer cinco aplicações contra insetos. Os custos são bem elevados", complementa. (V.L.)


