O Projeto Centro-Sul de Feijão e Milho completou 25 anos em 2015 e é uma referência no Paraná no que diz respeito ao manejo da cultura. Ele abrange as regiões administrativas do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Guarapuava, Irati, Ivaiporã, Curitiba, Ponta Grossa, Santo Antônio da Platina e União da Vitória, em parceria com a Syngenta, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Embrapa, entre outras entidades.
O coordenador do projeto, o engenheiro agrônomo da Emater Germano Kusdra, salienta que a preocupação dos três mil agricultores que fizeram parte dos trabalhos na primeira safra foi a antracnose, uma doença fúngica que ataca em climas úmidos e noites frias. "Ela ataca ramos, folha e vagem e pode acabar com a lavoura do produtor. Na primeira safra, a condição de chuva forte prejudicou o desenvolvimento das plantas." Já na segunda safra, os olhos de todos estão voltados para mancha angular, também fúngica.
Kusdra relata que utilizar variedades mais resistentes e até a aplicação preventiva de fungicidas estão entre as estratégias adotadas pelos produtores para inibir as doenças. "O custo variável gira em torno de R$ 2,5 mil por hectare. Os agrotóxicos no manejo têm peso significativo, o que gira em torno de duas a três aplicações no caso da antracnose."
Pelo programa, o coordenador dá exemplos de como a cultura pode ser lucrativa. Na safra 2012/13, houve casos de faturamento bruto de R$ 9,8 mil por hectare. Em 2013/14, o patamar foi de R$ 5,6 mil e, em 2014/15, de R$ 6,5 mil. "São muitos fatores em conjunto para atingir tais resultados, como em qualquer outra cultura. Começa com um bom manejo de solo, controle de erosão, fertilização adequada das plantas, uso de variedades adaptadas com bons potenciais produtivos, capacidade de tolerância e qualidade do grão. Hoje temos variedades incríveis com potencial de 160 sacas por alqueire."
Os produtores, de forma geral, têm investido em variedades, mesmo com a limitação de oferta de sementes em alguns momentos. "Sementes certificadas ainda são um gargalo que o Paraná enfrenta, o que pode ocasionar perdas. Mesmo assim, temos casos de produtores que atingem a marca de produtividade de 2,6 mil quilos por hectare em nossa região."
Atualmente, Kusdra estima que 50% da safra paranaense é de feijão carioca e a outra metade de feijão preto, que conta com seis mil produtores em Prudentópolis. No dia 11 de março, o projeto realiza um dia de campo em Ponta Grossa para disseminar novas tecnologias, que incluem variedades desenvolvidas pela pesquisa, técnicas de manejo e novos insumos e fertilizantes. (V.L.)

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