fotos: Kraw PenasProdutorasRebanho de búfalos da Fazenda AntoninaEm Antonina, no Litoral do Paraná, a produção artesanal de queijos à base de leite de búfalas foi a fórmula encontrada pelos proprietários da Fazenda Antonina, para conseguir escoar a produção de leite do rebanho de búfalas de pequenos produtores da região. Eles estavam habituados a entregar o leite para um laticínio de Registro, SP e o contrato foi rompido bruscamente, obrigando os produtores a procurar rapidamente alternativas.
Foi nessa época que o casal David Thiessen e Gilda Riegler Thiessen estava planejando montar uma queijaria para transformar o leite de búfala produzido na fazenda. A decisão do laticínio paulista acelerou a iniciativa do casal, que montou o laticínio Bubalinohaus, na Fazenda Antonina. Apesar de os tempos atuais exigirem produção de escala, ganhos em competitividade e redução de custos para conseguir mercado, o fato é que a produção artesanal de produtos alimentícios tem um bom nicho a ser explorado, afirmou Gilda.
Produto diferenciadoDesde quando conseguiu a autorização do Serviço de Inspeção do Paraná, em novembro do ano passado, a Bubalinohaus especializou-se na produção de mussarela de búfala, e derivados. Colocando produtos diferenciados no mercado, rapidamente conseguiu atrair a atenção de restaurantes, hotéis e casas especializadas em queijos e vinhos que se tornaram os habituais clientes.
O laticínio Bubalinohaus produz essencialmente mussarela oval, ideal para saladas; a mussarela em nózinhos, indicada para aperitivos, e os queijos frescal e mussarela em barra para sanduiches e pizza. A vantagem para o consumidor é que os produtos derivados de leite de búfala têm menos colesterol, do que o leite de vaca.
Gilda Thiessen mostra os pacotes de mussarela de búfala
Atualmente o Bubalinohaus atende 90% do mercado de Curitiba. Antes o mercado era suprido por produtos vindos de São Paulo e de um outro laticínio no Norte do Paraná, que direcionou a produção para São Paulo. ‘‘ Nós chegamos bem no momento em que outros fornecedores estavam deixando o mercado, e ficamos sem concorrentes’’, afirmou Gilda Thiessen. Essa experiência bem sucedida garante a colocação no mercado de toda a produção do laticínio, estimada em 800 quilos por mês, afirmou.
CrescimentoO casal já pensa em ampliar as instalações para atender o aumento da demanda. Mas esse crescimento será planejado sem euforia, ressalva David Thiessen. Ele reconhece que os tempos atuais são difíceis e o processo e consolidação de uma pequena empresa é lento e demorado.
O movimento mensal do laticínio Bubalinohaus, avaliado entre R$ 5 mil e R$ 6 mil, ainda é deficitário em relação aos custos. Thiessen reconhece que a fase ainda é de investimentos e prevê que durante uns dois ou três anos os lucros serão revertidos no melhoramento das instalações.
A Bubalinohaus iniciou a produção de queijos com a transformação de 300 litros de leite por dia, sendo cerca de 70 litros oriundos de produção própria e o restante complementado pela produção de leite de outras propriedades. A meta de David Thiessen para tornar a empresa superavitária é transformar 800 litros por dia no pico da safra entre agosto e novembro, sendo 300 litros de produção própria e o restante fornecido por produtores da região.
A idéia de instalar o laticínio surgiu de um curso que Gilda Thiessen fez na Expotiba, em Curitiba, quando a Associação Paranaense de Criadores de Búfalos (Abupar) trouxe um professor italiano especialista na fabricação de queijos à base de leite de búfala. Lidando com pequenas quantidades de leite, as receitas experimentadas foram bem sucedidas e Gilda decidiu profissionalizar a atividade.

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