O produtor de café paranaense precisa aumentar o cuidado com o solo de sua propriedade, um requisito básico para quem busca melhoria na produtividade. É o que comprova um trabalho em conjunto do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e cooperativas do setor. O Projeto de Implantação de Sistemas de Manejo e Fertilidade do Solo em Propriedades Familiares de Produção de Café busca ensinar aos produtores a importância de um solo estruturado, com matéria orgânica e cobertura de solo.
Para isso, um grupo de especialistas realizou um levantamento em diversas áreas familiares. Eles elencaram um conjunto de técnicas, não apenas envolvendo o solo, para mexer na produtividade da lavoura, incluindo adubação e podas. "O trabalho começou há dois anos e os resultados começaram a aparecer agora, já estamos lidando com uma cultura permanente. O projeto mostrou que é possível reverter estes números ruins. Inclusive, isto é comprovado em diversas unidades de referência que conseguimos implantar", comenta o coordenador do Projeto Café no Paraná, Silésio Abel Demoner, do Emater de Cornélio Procópio.
O rendimento da safra deste ano, segundo números da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), ficam na casa de 1.558 quilos por hectare (kg/ha), quando o ideal seria pelo menos 2,4 mil kg/ha. Mesmo longe do objetivo, Demoner relata que houve um avanço ao longo dos anos e que o cafeicultor está começando a se conscientizar que sua propriedade é uma empresa rural, sendo necessário estar atento a uma simples análise de solo até a implementação de novas tecnologias.
Uma das ideias do projeto é implantar a estratégia "safra 100 safra 0", trabalhando com uma safra bem produtiva em um ano e não produzindo no ano posterior. "Como o café é bianual, com uma safra mais intensa e a posterior menos intensa, uma estratégia é trabalhar só no pico de produção. Mas para realizar este trabalho, o solo precisa estar em total equilíbrio."
O coordenador do Emater comenta também que não há outras alternativas a não ser mecanizar a lavoura, já que a mão de obra está cada vez mais cara e rara. Uma opção para os pequenos produtores é se unir em associações e realizar a compra do maquinário em conjunto. O investimento, segundo ele, gira em torno de R$ 350 mil a R$ 500 mil. "Uma colheitadeira colhe 100 sacas em uma hora enquanto dez homens colhem 90 sacas em um dia. O produtor pequeno está conseguindo se virar bem com estas associações, mas para o de médio porte ainda é um problema, já que ele fica receoso com este tipo de parceria."
Além da compra das máquinas, a mecanização também está ligada à estrutura em torno do plantio, o que envolve o terreiro e a secagem. Além disso, em alguns locais serão necessárias alterações na própria lavoura, para que seja possível a entrada das máquinas. "O cafeicultor precisa entender que vai produzir cada vez mais e ciente que pode ganhar menos. Se a cultura não está viável, uma estratégia é a diversificação da propriedade com outras culturas", complementa. (V.L.)

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