Antes da tecnologia, o arroz com feijão
Se por um lado existem centenas de empresas oferecendo os mais diversos produtos para desenvolvimento e nutrição de plantas que influenciam diretamente na produtividade por outro, o que se vê são agricultores que esquecem de fazer o básico para o crescimento efetivo de uma planta. Encantados com as tecnologias, eles incrementam os custos de produção e, muitas vezes, não conseguem os resultados esperados.
O pesquisador da Embrapa Soja César de Castro comenta que no caso da produção da oleaginosa, é bastante comum o produtor esquecer de fazer o "arroz com feijão". "Antes de investir nesse tipo de produto, nós preconizamos que o agricultor faça uma análise de solo, determinando se é necessário ou não fazer a calagem para corrigir os nutrientes do solo. Depois disso, ele tem com precisão quais nutrientes devem ser aplicados no solo e a quantidade de cada um deles. Fazendo isso, associado a uma cultivar adequada para a região plantada, junto à periodicidade de chuva adequada, eu não acredito que sejam necessários tais produtos", comenta Castro.
Muitas vezes, as empresas reforçam a ideia de que com a chegada dos transgênicos, a nutrição das plantas mudou drasticamente. O pesquisador da Embrapa Soja refuta essa afirmação. Para ele, a mudança mais significativa, no caso da oleaginosa, é a reposição da quantidade de nutrientes do solo, principalmente o potássio. "Nós temos visto desde o ano passado muitas áreas de soja com deficiência de potássio. O sojicultor precisa estar atento à fertilidade do solo, porque cada vez mais ela está se esgotando", avalia ele.
Em alguns casos, inclusive, o gargalo é justamente esse: o produtor até chega a realizar uma análise de solo, mas não dá continuidade ao processo com o auxílio de um engenheiro agrônomo, por exemplo, para saber quais nutrientes precisam ser disponibilizados no solo. "Não há uma interpretação adequada dos dados para entender o que é preciso repor ou não. Em muitas ocasiões, há teores altíssimos de um determinado nutriente no solo e o produtor, por desconhecimento, continua aplicando esse mesmo nutriente. Ou ao contrário, o solo necessita muito de algo e o agricultor aplica doses baixas. Depois de um tempo, a lavoura começa a perder produtividade e o agricultor imagina que a planta está doente, com nematoides ou outros tipos de problema."
Na opinião de Castro, se o produtor quiser investir nesse tipo de tecnologia, como aminoácidos, micronutrientes, adubos foliares, entre outros, ele precisa ter um diagnóstico preciso da lavoura. "Existindo esse diagnóstico exato, eu acredito que alguns desses produtos possam ser úteis em determinadas situações." (V.L.)





