Dorico da SilvaCedoAntônio Carlos Gerage, do Iapar, afirma que é cedo para previsão de plantioA previsão inicial era de que a área de milho-safrinha somasse 700 mil hectares (ha), contra os 547 mil ha implantados em 96. Mesmo com incremento da área, o plantio chegou a 680 mil ha, mas a cultura deverá ter um de seus piores anos em termos de produtividade. O milho-safrinha sofreu retardamento na sua instalação devido à saída tardia da soja e à falta de umidade para plantio em várias regiões do Estado a partir do mês de março.
No ano passado a produtividade atingiu 2.350 quilos (kg) por ha e a produção bruta, 1 milhão e 286 mil toneladas (t). Neste ano, mesmo com área maior, a produção global será menor, com produtividade reduzida.
Média baixaO rendimento deverá ficar abaixo do previsto inicialmente. A previsão era de uma produtividade de 2.495 kg/ha e a produção total de 1 milhão e 750 mil toneladas (t). Em função dos problemas, se atingir média de 1.500 kg/ha o produtor poderá se dar por satisfeito.
No total, calculam os técnicos, a produção global não ultrapassa 1 milhão de toneladas. ‘‘Mas tudo não passa ainda de previsão’’, avisa o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Antônio Carlos Gerage. A colheita da safrinha deverá ser iniciada em algumas regiões no final de agosto.
Falta de águaMesmo após instalada, a cultura continou sofrendo pela falta de água, o que comprometeu o desenvolvimento das plantas. No Oeste do Paraná e em algumas localidades do Norte o período sem chuva duru meses, comprometendo o rendimento. Foram poucas as regiões onde, embora semeadas tardiamente, as lavouras tiveram desenvolvimento satisfatório. Propriedades dos municípios de Primeiro de Maio e Sertaneja, segundo o pequisador do Iapar, estão mantendo desenvolvimento normal.
De acordo com Gerage, os dois maiores problemas para a safrinha, normalmente, são a falta de umidade e a temperatura baixa, com geadas precoces. ‘‘Este ano o inverno não aconteceu. Maio e junho registraram baixas temperaturas, mas não geou. Julho, ao contrário do normal, foi um mês de elevada temperatura. Mas a cultura já havia sido prejudicada pela estiagem. Para o milho o problema não é o volume de chuvas, porém a má distribuição delas.’’

ArquivoNa safrinha houve queda de produtividade. O milho de verão sofrerá redução de áreaO plantio contínuo do milho também colabora para aumentar a presença de pragas e a ocorrência de doenças na lavoura. Hoje, no Paraná, planta-se o milho de agosto a março/abril. A seca é outro ingrediente que favorece o aparecimento de pragas. A planta, sem condição de desenvolvimento normal, sob qualquer estresse fica mais suscetível. Este ano, por exemplo, muitas lavouras foram atacadas pela lagarta-do-cartucho.
A alternativa é usar cultivares mais resistentes a doenças e investir em tecnologia de cultivo durante a safrinha. Mesmo na safra normal existem condições favoráveis para pragas e doenças se manterem. ‘‘É óbvio que se o produtor apostar na tecnologia adequada de cultivo, em busca de mais rendimento e produtividade, usando cultivares mais resistentes e um manejo de pragas, o resultado será melhor.’’
Para ficarA existência da safrinha está relacionada com a redução do cultivo de trigo no Paraná nos últimos anos. Há também melhor perspectiva de preços melhores, já que o produto é colhido a partir de agosto/setembro, fora da época normal.
‘‘Mesmo oscilando em área de ano para ano ela veio para ficar’’, avisa o pesquisador. Fora o trigo, o produtor tem poucas opções econômicas no inverno para fazer a rotação e anteceder a soja que é cultivada no verão. ‘‘É uma situação com a qual vamos ter que aprender a conviver, adotando alternativas de cultivares mais resistentes e manejo de pragas eficiente.’’

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