O preço do feijão carioca extra teve alta de 27% nos últimos 30 dias. A velocidade do aumento foi maior nos últimos dias: de 23 de dezembro até a última quinta-feira, dia 7, a alta variou de 14% a 18% dependendo da praça e da qualidade. Outros tipos de feijão, os feijões comerciais, valorizaram entre 15% e 19%.
A ascensão do preço do feijão não deve parar. A julgar pelo cenário atual - redução de área nos três Estados do Sul e perdas de safra em Goiás, Minas Gerais e Bahia -, o quadro de oferta estará ameaçado até março/abril, pelo menos.
Cerca de 65% das lavouras de Goiás atingidas pelo veranico de dezembro devem apresentar queda na produtividade. A amplitude dessas perdas só será avaliada nos próximos dias.
Outro pólo importante, a região de Irecê na Bahia, pode ter perda de até 90% das lavouras.
O analista da Correpar, de Curitiba, Marcelo Eduardo Luders, procurado pela Folha Rural, confirmou o ''quadro de pouca oferta'' e a ''tendência de novas altas de preços''.
Segundo ele, ''Até o momento, tudo leva a acreditar que o panorama é altamente favorável a um preço mais alto''. Marcelo acrescenta que o mercado internacional também é de pouca produção. Citou recuo nas safras da China e de alguns países da África.
Neste aspecto, lembra que as condições climáticas nas próximas semanas são favráveis ao plantio.
''Se o Brasil tivesse uma boa safra poderia até exportar feijão este ano'', segundo Marcelo. Mas os produtores ainda podem se beneficiar dessa alta de preços e ajudar a regularizar o mercado. Quem plantar e colher bem na segunda safra vai se dar bem pois alcançará bons preços principalmente se entrar cedo no mercado. Como o ciclo da planta varia de 95 a 110 dias, quando chegar à colheita o atual senário não terá mudado muito.
Além do quadro de pouca oferta, por fatores climáticos, o analista de mercado relaciona outros fatores de sustentação de preços do feijão. O aumento do consumo este ano pode ser alavancado pelas políticas sociais do governo com foco na alimentação. Ano eleitoral, a tendência é de aquecimento da economia. O aquecimento na economia, ainda que pequeno, tem refléxo quase imediato no consumo de alimentos básicos.
O ponto negativo (que, no entanto, não muda o cenário favorável à sustentação de preços) é de longo prazo e fica por conta da política fiscal do governo. A tributação da cesta básica considerada absurda pelos segmentos da produção, é criticada também pelo analista Marcelo Luders.
O governo continuará mantendo tributada a cesta básica até janeiro de 2005, em percentuais que variam entre 7% e 12%. A retirada ou redução do tributo teria forte impacto positivo na produção e no consumo, segundo Marcelo. A reforma tributária, na opinião do técnico, cuidou mais dos interesses arrecadatórios e do interesse político pois atingiria nos eresses de alguns Estados.

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