Ano de preços altos para o boi gordo
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de dezembro de 2003
Reportagem Local e agências 
O mercado do boi gordo terá no aumento das exportações seu principal fator de preços ano que vem. Todas as projeções convergem para a ampliação dos espaços da carne brasileira. Não há estudo que aponte para um aumento no consumo interno de carne bovina. Este aumento está reservado para o frango e a carne suína.
Esta semana, novas previsões otimistas para a carne. As exportações de carne bovina devem crescer 20% em 2004, totalizando entre 1,65 milhão e 1,7 milhão de toneladas, vendas que devem gerar US$ 1,8 bilhão, informou esta semana o presidente do Fórum Nacional de Pecuária de Corte da CNA, Antenor Nogueira. A expectativa é de embarques de 1,4 milhão de toneladas de carne bovina em 2003, com receita de US$ 1,5 bilhão. Em 2002, foram embarcadas um milhão de toneladas de carne bovina, que renderam US$ 1,1 bilhão.
O Brasil continuará ocupando o primeiro lugar no ranking de exportações de carne bovina. Estados Unidos e Austrália continuarão com vendas restritas por conta de problemas climáticos'', afirmou Nogueira.
No ano - No acumulado do ano até novembro, as exportações totais de carne bovina totalizaram 1,182 milhão de toneladas, crescimento de 35,41% na comparação com igual período de 2002.
A liderança no ranking mundial de exportação de carne bovina não beneficiou os pecuaristas brasileiros, alertou Nogueira. O País respondeu, em 2003, por 19% do comércio mundial de carne bovina, favorecido por problemas climáticos nos Estados Unidos e Austrália. ''Desestimulado, o pecuarista nacional reduz plantel e destina áreas de pastagem para plantio de grãos, principalmente soja, investimento mais rentável'', acrescentou.
As estimativas indicam que 200 milhões de hectares são ocupados com pecuária no País. Ele citou números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que indicam abate de matrizes até junho deste ano em volume equivalente a 34% do rebanho nacional. O normal, considerou, é que o abate de matrizes fique em 18% a 20%.
Levantamento da CNA mostra que os custos totais da pecuária de corte, entre março e novembro, na média ponderada cresceram 6,5%, muito acima da alta de 1,85% nos preços da arroba. O cálculo foi feito com base em preços praticados em sete estados: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia, Rio Grande do Sul e São Paulo. No período entre março e novembro, o IGP-M foi de 3,22%. ''O custo de produção da pecuária subiu muito mais que a inflação'', completou Nogueira. Os custos foram impulsionados pelos insumos de formação de pastagens, medicamentos, salários e itens para construções. (Agência Estado).
Frango - Dados divulgados esta semana pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango indicam que o Brasil desbancou os Estados Unidos e assumiu a liderança mundial em receitas com as exportações do produto.
As exportações deste ano devem atingir o recorde de 2 milhões de toneladas, com receitas de US$ 1,9 bilhão. Apesar de o ano não ter terminado, as exportações de frango em 2003 já superam as de janeiro a dezembro de 2002.
Segundo a Abef, as vendas externas deste ano, até novembro, somaram 1,81 milhão de toneladas, com crescimento de 21,5% sobre as de 2002. Já as receitas subiram para US$ 1,65 bilhão, com alta de 28% sobre o valor obtido no ano passado.
O Brasil ampliou o leque de exportações para 20 novos países, sem perder os que já tinha. Além disso, aumentou as exportações com valor agregado. As vendas de frangos inteiros deste ano superam em 19% as de 2002, mas são 35% maiores em valor. Já as de frango industrializado subiram 50% em volume e 55% em receita.


