Edson e Aline Sanguino: temos de contribuir para que eles vivam bem, pois nos dão retorno econômico
Edson e Aline Sanguino: temos de contribuir para que eles vivam bem, pois nos dão retorno econômico | Foto: Gina Mardones



Do café para a suinocultura. Há 45 anos a família Sanguino deixou a atividade que já teve sua época de ouro no Paraná para se dedicar à produção de suínos. Um movimento que deu certo e hoje, numa propriedade de 100 hectares em Sabáudia (Norte), a atuação da granja é de ciclo completo, com 200 matrizes, sendo que o milho produzido na propriedade é utilizado na ração dos animais e os dejetos indo diretamente para melhorar a fertilidade do solo.

O suinocultor, Daniel Sanguino, relata que a comercialização na propriedade gira em torno de 100 animais por semana, boa parte deles para a região de Rolândia. Ele explica que há cerca de dez anos começou a investir de forma mais enfática no bem-estar animal. Questionado o porque desse movimento, a resposta é interessante. "A partir do momento que descobrimos que os animais têm sentimentos e se desenvolvem melhor se sentindo bem, resolvemos trabalhar com o bem-estar. Temos que contribuir para que eles vivam melhor porque estão trabalhando para nós e assim nos dão mais retorno econômico."

O investimento, no caso dos Sanguino, foi em melhorias na ambiência, como controle de temperatura, água sempre fresca, mais espaço, além de "tentar entender o animal para saber o que ele quer". "Percebemos que as fêmeas criam um número maior de animais, em torno de 20% a mais, e com melhor qualidade dos nascidos. É um valor expressivo."

A médica veterinária da propriedade, Aline Sanguino, complementa relatando que no caso dos animais reprodutores, a estratégia foi de tirá-los da condição de gaiolas para o conforto das baias. "Outro ponto é que o trato (alimentação) era feito de forma manual, com carriola e na caneca. Então, no pré-trato, os animais ficavam estressados, gritando e com fome. Hoje a alimentação é automatizada e acontece simultaneamente."

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Além das melhorias em ganho de peso, a especialista comenta ainda que as ações de BEA fazem com que os porcos fiquem menos doentes, há diminuição de estresse, no uso de medicamentos, menos mão de obra e, na prenhez amamentam melhor. "Na maternidade, inclusive, as fêmeas recebem ventilação direcionada no pescoço. Também estamos, em nosso galpão de reposição, com o modelo de baias coletivas na gestação, como acontece na Europa."

Mas nem tudo são flores nesse modelo. Daniel salienta que há algumas demandas em relação ao bem-estar de suínos - muitas vezes feita pela sociedade urbana - que não condizem com o dia a dia do produtor rural e o manejo que ele enfrenta. É o caso dessas baias coletivas. "As fêmeas fazem uma disputa por alimento e liderança, o que acaba causando até danos na gestação (animais se agredindo e disputa por comida). Essa é uma tendência mundial e nacional, que todos acham que é o melhor dos mundos, mas essas pessoas não trabalharam junto com os animais. Desconhecimento com a profissão faz com que se exijam algumas coisas que às vezes não funcionam."

Ele complementa dizendo que BEA é fundamental e faz parte evolução da cadeia de suínos. "Estamos olhando o lado econômico e a vida do animal que está para nos servir. Queremos expandir nossos trabalhos aqui na granja, mas sempre com consciência." (V.L.)

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