A mudança na rotina, no ambiente e no tratamento dos animais durante eventos como uma exposição agropecuária, pode trazer graves problemas clínicos. O alerta é do professor Wilmar Sachetin Marçal, diretor do Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Baseado em informações colhidas junto a professores e estagiários que atuaram em edições anteriores da Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, o diretor do HV lista os principais problemas e sugere ações preventivas para que a permanência dos animais no parque seja menos ''traumática''. Para Marçal, o estresse que atinge também os peões dificulta o manejo. ''O maior inimigo dos animais é o cansaço dos tratadores'', resume.
Os erros, na avaliação do professor, começam na forma ''estabanada'' com que são feitos os desembarques dos animais que já chegam agitados e estressados pela viagem. ''Os animais reagem de acordo com a provocação, então, a pressa na retirada pode provocar desde acidentes leves até fraturas graves''. Marçal informa que, para fraturas ocorridas na região da bacia ou nos membros, os tratamentos são inviáveis levando o animal ao sacrifício. Para evitar esses riscos o professor sugere tratamento mais paciencioso, tanto no embarque quanto no desembarque dos bichos.
Outra ocorrência registrada pelos professores da UEL na feira de Londrina aponta para reações alérgicas provocadas pelo tipo de cama utilizadas nos pavilhões do Parque, basicamente de palha de arroz ou cepilho. O quadro, segundo Marçal, se manifesta com o corrimento nasal ou a formação de nódulos na pele. ''Os animais ficam indispostos, falta apetite, têm alterações no comportamento e, algumas vezes, febre''. A medida preventiva, para o diretor do HV, é que se evite a formação de poeira durante a troca das camas.
Quanto a acomodação dos animais, o professor cita o caso de vacas prenhes que podem parir durante a feira. Para isso ele sugere que sejam criados ''piquetes maternidade'' para alojar essas vacas. ''O local precisa ser tranquilo para que o parto ocorra sem problemas''.
Os cuidados devem se estender também para o preparo diário dos alimentos volumosos. ''Capim triturado não pode ser armazenado pois fermenta e azeda. No bovino, por exemplo, esse tipo de alimento causa indigestão e diarréia''. Marçal orienta ainda que os animais recebam água várias vezes ao dia e façam caminhadas constantes pelo parque para diminuir o risco de constipação intestinal. Mais uma orientação dada pelo professor refere-se à ordenha das vacas leiteiras. ''As ordenhas devem ser feitas em plenitude. Restos de leite podem inflamar a úbere, levando a uma mastite ou mamite'', reforça.
Além do cuidado no tratamento dos ruminantes, o professor sugere que os julgamentos das raças ocorram até às 10 horas e depois das 16 horas. ''Incidência solar elevada piora a situação de estresse e o desconforto dos animais''.
Pelo estudo, Marçal elogia a medida do rodízio de raças adotado para equinos e ovinos. ''A permanência desses animais durante a feira é menor, assim, o risco de acidentes e doenças também é pequeno''.

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