Durante os 11 dias em que permanecem na Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, os mais de 3,6 mil animais expostos nas argolas do Parque Governador Ney Braga produzem um material valioso, mas cuja utilidade passa despercebida aos olhos do público. Trata-se do estrume, matéria-prima de excelente qualidade utilizada na fabricação de composto orgânico.
O produto final, obtido a partir da fermentação da mistura dos dejetos com cepilho (pó-de-serra mais grosso) ou palha de arroz, é indicado para reestabelecer o equlíbrio químico, físico e biológico do solo ocupado por lavouras diversas.
O administrador do Ney Braga, Romualdo Silva Costa, conta que, por causa dessas qualidades, o estrume recolhido durante a feira tem freguesia certa: agricultores, representantes de hortas comunitárias e empresas que produzem composto orgânico para comercialização fretam caminhões para recolher o material guardado durante a exposição.
A mistura de cepilho com estrume nos pavilhões é abundante. Conforme o administrador, são recolhidas 15 toneladas por dia, o que totaliza mais de 150 toneladas ao fim da feira. ''O pessoal faz fila para buscar a mistura'', brinca, acrescentando que a Sociedade Rural do Paraná, responsável pelo Parque Ney Braga, iria gastar pelo menos 100 caminhões de cepilho para manter limpos os pavilhões.
Uma das empresas que utiliza o estrume da Exposição para fabricar composto orgânico é a Humorgan. Dejetos de curtumes, frigoríficos e abatedouros avícolas, além de cinzas de indústrias, também são transformados em adubo. Edson Nunes da Silva, diretor do estabelecimento, explica que o material devolve naturalmente ao solo os elementos retirados pelas plantas durante o desenvolvimento da lavoura.
A fabricação do composto depende da fermentação do material. Camadas sobrepostas de esterco e cepilho são acomodadas de forma que não fiquem compactadas, para possibilitar a fermentação. Essa parte do processo dura sessenta dias. Depois desse tempo, o matérial é removido para outro local e novamente sobreposto para favorecer o contato com o ar e nova fermentação.
Mais 60 dias de espera e o composto está pronto. Segundo Silva, a fabricação pode ser feita a céu aberto. A cada 20 dias, as camadas devem ser irrigadas para evitar combustão. ''O material esquenta muito por causa da fermentação'', esclareceu.
A compostagem orgânica é vendida por R$ 105 a tonelada a granel. A indicação de uso é de 500 gramas por metro quadrado ou um quilo por metro linear. Além de constituir adubo de qualidade, o produto também favorece o meio ambiente, já que a fabricação evita que o estrume dos animais seja transformado em lixo.

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