Animais podem morrer pelo ataque
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sábado, 27 de dezembro de 1997
Cláudia Barberato 
Arquivo FolhaRecomendaçãoProdutor pode tratar qualquer categoria animal, antes de colocar o rebanho em pastagens vedadas ou recém-formadasOs efeitos dos nematódeos (vermes) sobre os bovinos dependem da espécie e do grau de infestação. Clima, solo, vegetação, tipo de exploração, raça, idade do animal e tipo de pastagem influenciam no aparecimento e efeitos da verminose nos animais. De acordo com o pesquisador da Embrapa - Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Corte, sediado em Campo Grande (MS), Ivo Bianchin, quando maciças, as infecções podem causar mortes, como por exempolo, a taxa de 10% na região Sul do País.
Nas criações extensivas de bovinos de corte no Brasil Central a taxa de mortalidade é menor, cerca de 2%. Mesmo assim, a verminose contribui para o baixo índice de crescimento dos animais. Bovinos de criação mais extensiva, que não têm seletividade na alimentação e comem próximo dos bolos fecais - afirma Bianchin - podem adquirir cargas maiores de helmintos (vermes) o que, somado ao fator nutricional, leva a uma quebra da imunidade.
RecomendaçõesO pesquisador orienta o produtor sobre o que deve fazer, para tratar qualquer categoria animal, antes de colocar o rebanho em pastagens que foram vedadas ou recém-formadas: é importante usar sempre a dose recomendada pelo fabricante do produto. Para as criações extensivas, ele recomenda utilizar o produto somente em categorias de animais em que a verminose seja importante e, nas épocas indicadas pela pesquisa, para o controle estratégico. Caso contrário é dinheiro jogado fora. Deve-se tratar todos os animais da invernada e não somente os magros.
Controle O controle estratégico é, por definição, de acordo com o pesquisador da Embrapa, preventivo. O efeitos são notados somente a médio e a longo prazos. Para se chegar a um controle eficiente e econômico, é necessário estudar a epidemiologia dos nematódeos nas diferentes regiões ecológicas do País, o que leva ao conhecimento da dinâmica dos helmintos no animal e na pastagem.
Os prejuízos causados pelos vermes dependem, entre outros fatores, da idade dos animais e do custo do número de doses de vermífugo a ser usado. Num bezerro antes da desmama, criado na região dos Cerrados, por exemplo, pode-se considerar que o ataque de vermes causará um pequeno prejuízo. Mesmo assim, a dose de vermífugo deverá ser feita.
Animais da desmama até os 24/30 meses, acometidos de verminose, resultam em alto prejuízo. As doses devem ser ministradas nos meses de maio, julho e setembro. O boi de engorda também registra baixo prejuízo, mas o medicamento deve ser fornecido em outubro e novembro. No caso das vacas, mesmo considerando o baixo prejuízo, na região dos Cerrados, os animais devem receber vermífugo nos meses de julho e novembro.
No pastoEm pastagens que ficam de reserva ou vedadas por certo período, para terminação do boi, os resultados de pesquisa demonstram vantagem em dosificar uma vez. Esses animais, segundo o pesquisador da Embrapa, deverão receber a dose na entrada do pastoreio ou do confinamento.
O pique de parição das vacas, no Brasil Central, ocorre nos meses de agosto e setembro. Neste caso, seria recomendável, afirma Biachin, vermifugar todas as vacas uma vez ao ano, em julho ou agosto. O manejo servirá para diminuir a infestação de larvas no pasto e como medida preventiva para os bezerros que nascem neste período.
Melhor épocaOs resultados de pesquisa na Região Central do Brasil, informa o pesquisador, indicam que o melhor esquema de controle deve ser feito no período seco do ano. Segundo Bianchin, observa-se que a maior parte das estações meteorológicas mostra um periodo seco nos meses de junho, julho e agosto (65,1%). Esta estação seca muda-se no sentido Norte-Nordeste, chegando finalmente à inversão no Hemisfério Norte, em Roraima e Amapá (janeiro, fevereiro e março - 0.4%).
A área física incluída na estação seca de junho, julho e agosto, explica o pesquisador, abrange os Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Rondônia, Acre, região Central-Sul do Amazonas, Pará, Maranhão, grande parte do Piauí e Bahia, a maior parte do interior de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.
A estação seca de junho, julho e agosto inclui grande parte do Brasil Central, onde se encontram 50 a 60% do rebanho nacional, o que implicaria concluir que, aproximadamente, 74 milhões de bovinos sofrem das condições adversas desta época. O uso estratégico de anti-helmínticos nos meses de maio, julho e setembro, na faixa etária do desmame aos 24/30 meses, poderia ser aplicado em toda esta área, afirma Bianchin. Segundo ele, apenas modificando-o se alguma particularidade local, se necessário. O trabalho proporcionaria uma redução de mortalidade de 2% e um ganho médio de 41 quilos de peso vivo por animal no abate.
EconomiaO desempenho financeiro dos animais dosificados três vezes ao ano (maio, julho e setembro) é melhor, com um retorno calculado em 457,46% em dois anos. O benefício financeiro líquido alcança o valor de 6.948.338 arrobas de carcaça de boi gordo ou, aproximadamente, US$ 167 milhões. A adoção da dosificação estratégica de vermífugos não enfrenta restrição quanto aos sistemas de produção em uso pelos produtores, uma vez que, em essência, é uma questão gerencial, não exigindo qualquer investimento adicional.
No Pantanal os resultados obtidos, na Embrapa - Centro de Pesquisa Agropecuária do Pantanal - sobre epidemiologia de helmintos em bovinos de corte na região, evidenciam que existem condições de sobrevivência das larvas infectantes durante o ano todo. Porém, tanto o número como a migração aumentam no período chuvoso; daí a importância de fazer o controle nesta época.
O que usarHá grande quantidade de produtos anti-helmínticos no mercado. O pesquisador recomenda preferência pelos de largo espectro; que atuem em todas as espécies de vermes. O meio de administração do vermífugo (oral, poor-on, injetável, intra-ruminal) não é importante. Importa é o princípio ativo do produto, que deve ser bom.
Segundo Bianchin, se o medicamento for usado em categorias de animais inapropriadas ou em épocas do ano erradas, pode-se usar o melhor anti-helmíntico do mercado que não haverá retorno. Ele diz que estas são as duas causas para estimar que, hoje, cerca de 80% das doses de anti-helmínticos utilizadas nos animais no País sejam dadas erradamente e, portanto, sem retorno econômico.
O controle estratégico da verminose não dispensa a assistência técnica, avisa Bianchin. O número de doses de anti-helmínticos a serem usadas nos animais, muitas vezes, deve ser acrescido e ou modificado, dependendo do manejo, raça, nível nutricional e outros procedimentos, havendo necessidade de fazer exames de fezes nos animais e contar com o trabalho do veterinário.


