O pecuarista que tem hoje o ciclo completo da produção de carne na propriedade (cria, recria e engorda), está em condições de melhor rentabilidade. A opinião é do técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento (Seab), Adélio Borges. Segundo ele, como as geadas não foram tão severas este ano, quem tem pasto bom ainda consegue reter um pouco os animais na propriedade, em busca de maior rentabilidade para a arroba, e não precisa desembolsar a mais para comprar os animais de reposição, que estão bem valorizados.
Durante a semana, no Paraná, o preço da arroba chegou a R$ 43,00 no Norte e Noroeste (Umuamara com R$41/42,00), principais praças de produção e de demanda. A média ficou em R$ 40,89. O aquecimento, segundo Borges, aconteceu porque o mercado do boi gordo trabalha com pouca oferta de animais para o abate, o que de certa forma é normal para o período.
Estabilidade de preços Segundo Borges, não há perspectivas a curto prazo de queda de preços, com tendência de, no mínimo, uma estabilidade. Ele não acredita em aumento imediato para o valor da arroba. Uma variação menor, de acordo com o técnico, poderia se dar pela ocorrência de geadas nos primeiros 10 dias de agosto, quando ainda há riscos.
No ano passado dois períodos de geadas severas guiaram o mercado: de 13 a 28 de julho e, depois, de 3 a 10 de agosto. Se não ocorrerem mais geadas, que poderiam afetar o mercado provocando maior oferta de animais, há uma certa condição para reter o gado no pasto, em busca de melhor rentabilidade para a arroba.
O gado que é engordado em pastos de inverno, com aveia e azevém, mais no Centro-Sul do Estado, ainda não está pronto e só deverá estar em peso de abate daqui a 40 dias. Já os animais criados em pasto perene, que não foi severamente atingido pelas geadas, ao contrário do que aconteceu no ano passado, ainda têm condições de manutenção de peso e não é preciso fazer uma grande desova.
O mercado de reposição que se guia pelo abate de bois gordos teve seu pico este ano em maio. ‘‘Foi um reflexo da geada do ano passado e depois a seca,’’ afirma Borges. Os fenômenos climáticos e a falta de comida em 2000 retardaram os ciclos reprodutivos. Com isso isso houve atraso na ciclagem das fêmeas, no nascimento dos bezerros e no desmame.
‘‘Normalmente a safra de bezerros desmamados acontece em maio/abril e este ano o pico de volume deste tipo de animais ocorreu em maio quando a procura superou a oferta.’’ Em função disso as fêmeas (bezerras, novilhas e vacas) ficaram bem valorizadas, puxando também para cima o preço dos bezerros, garrotes e bois magros.
‘‘E isso não aconteceu somente no Paraná,’’ garante Borges. No Mato Grosso do Sul os animais de reposição também continuam valorizados. Além de preços maiores, quem compra lá tem que assumir despesas de ICMS e o frete, o que inviabiliza o negócio. ‘‘O abate de fêmeas lá foi até maior do que no Paraná.’’
Quanto se consegue comprar A relação atual de troca, considerando bezerros desmamados com preço médio de R$ 320, frente a um boi gordo de 16,5 arrobas a R$ 42 a arroba, dá 1 por 2,16, enquanto que o ideal seria de 1 por 2,2 até 2,4. Ou seja, quem vende um boi gordo deveria conseguir comprar mais bezerros, o que não está acontecendo.
Na relação de troca do bezerro de ano, com preço médio de R$ 360, a relação é de 1 boi gordo para 1,92 bezerro. O garrote, com preço médio de R$ 440, dá hoje uma relação de troca de 1 para 1,57. Já o boi magro, com média de R$ 520 proporciona uma relação de 1 para 1,2, também desfavorável porque o ideal é 1 boi de 16,5 arrobas para 1,5 boi magro. O boi magro teve reação favorável nos últimos dias.
As fêmeas de desmama (bezerras) estão valendo de R$ 250 a R$ 270. As bezerras de ano de R$ 280 a R$ 300 e as novilhas entre R$ 350 a R$ 370. As novilhas de 2 anos a 2,5 anos estão valendo entre R$ 380 a R$ 400.

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