O mercado ainda trabalha com uma interrogação: com o novo perfil de produção de soja até que ponto as cotações da Chicago Board of Trade (CBOT), podem satisfazer às necessidades mundiais? O questionamento é da Fair Corretora de Câmbio e Valores.
Nas últimas duas safras sulamericanas, o peso da produção da oleaginosa já superou com folga até a então intocada produção dos EUA. No entanto, os traders que atuam em Chicago, embasados em um contrato que já demonstra distorções e necessidade urgente de revisão, não se atentaram para a realidade mundial e um problema imediato de abastecimento americano.
As cotações em Chicago, segundo analistas da Fair, não podem ''ter olhos tão domésticos como vem demonstrando.'' Uma safra gigantesca já mostra a ponta do seu iceberg no vizinho continente ao sul do Equador, sem que pelo menos, uma visão crítica, ou talvez perspicaz, dos analistas americanos, teimam em não enxergar.
Isso não deixa de ser bom para os produtores na América do Sul, que estão quase prontos para colher a maior produção já vista no continente, consideram os prognósticos da Fair. ''Isso só seria ótimo se ficasse assim. Afinal de contas seriam preços altos ante uma safra recorde. Mas sabedores disso, os grandes importadores já impuseram um limite para exagerada escalada de preço. Aplicaram desconto sobre as cotações de Chicago, a valores nunca visto até então. Sobre o contrato de maio, os descontos oscilam entre US$ 0,95 a 1,00 por bushel,'' destacam os analistas da Fair.
Com isso, segundo os consultores da Fair, haverão correntes que enxergam pedras pelo caminho e uma dificuldade dos americanos em importar a soja brasileira, em função de focos de ferrugem em algumas lavouras brasileiras. Também se fala nos altos custos de fretes que resultariam de uma importação argentina. Mas com baixíssimos estoques de soja americana - 125 milhões de bushels conforme o último relatório do USDA, quando à normalidade é de 400 milhões - mostram que a necessidade de importação será inevitável, a não ser que indústrias de ração nos EUA substituam a soja pela canola ou girassol.

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