Arquivo FolhaAbatesRebanho deverá sofrer redução menor; queda prevista de 1 milhão de cabeças

Este deverá ser um ano de preços mais firmes para a arroba do boi, ao contrário do previsto anteriormente. A afirmação é do agrônomo Victor Abou Nehme Filho, da FNP Consultoria & Comércio, empresa de São Paulo que atua no mercado de cotação de preços pecuários.
De acordo com o analista, 1995 e 1996 foram anos de baixa de preços e, 1997 que seria um terceiro ano de baixa, fechando o ciclo pecuário, deverá ser diferente. Durante 1996 a FNP realizou um estudo sobre o ciclo pecuário e constatou que desde 1986 a periodicidade de alta e de baixa tem sido de quatro em quatro anos e não de três em três anos.
Hoje acredita-se, afirma Nehme, que 1997 e 1998 deverão ser anos de recuperação de preços. Em 1996 houve grande abate de matrizes; bem acima do que se imaginava e o rebanho caiu 3,5 milhões de cabeças. Essa queda do número de cabeças, de acordo com Nehme, vinha desde 1995, com redução de 1 milhão de cabeças. A previsão para 1997, na sua opinião, é de redução também por volta de 1 milhão de cabeças.
Como a redução do rebanho brasileiro no ano passado foi feita basicamente com abate de fêmeas, a expectativa é de que a safra de bezerros deverá ser menor este ano. O preço do bezerro sobreano, cotado no mesmo período do ano passado a R$ 110,00 já está sendo ofertado por R$ 150/160,00, com alta de mais de 40%, fruto da escassez de matrizes.
Arroba sobeJá para o preço da arroba a perspectiva parece melhor. A cotação em dólares, afirma Nehme, deverá ficar 5% maior do que no ano passado. Por enquanto, em janeiro, os preços continuam os mesmos dos que eram praticados no começo de 1996, por volta dos R$ 22,50.
Nesta fase de recuperação e alta, afirma Nehme, a cria e o investimento em fêmeas deverão ser melhor negócio. A recria deve perder um pouco do brilho adquirido em 1996 e ficar menos rentável do que a cria.
Para as exportações, que não cresceram muito em 1996, o analista acredita que os números devem se repetir, ficando entre 270/280 mil toneladas. ‘‘O desempenho no crescimento, em 1996, foi afetado, principalmente pela crise da vaca louca na Europa e não devido a problemas internos.’’
‘‘A rentabilidade da pecuária piorou muito em 1996 e muita gente está abandonando a atividade’’, acredita o consultor. Os pequenos pecuaristas, por exemplo, têm tido dificuldade de se manter no mercado. Para a pecuária praticada com pequenas margens de lucratividade, há dependência de economia de escala e nem todo o criador consegue se manter na atividade. Além disso, sobram cada vez menos o que os especialistas chamam de ‘‘alienígenas’’ do processo, aquelas pessoas que tratavam a pecuária como investimento, e especulavam no negócio.
Consumo e produtividadeO presidente do Sindicato Nacional dos Pecuaristas de Gado de Corte, Antenor de Amorim Nogueira, garante que em 1997 a entidade continuará trabalhando para promover aumento de consumo da carne bovina e produtividades maiores na produção, para compensar perdas dos anos anteriores.
Um dos eventos programados deverá ser um congresso nacional de pecuaristas, reunindo de 1.500 a 2 mil pessoas, em Goiânia (GO), no mês de maio. Do evento deverá sair um documento destinado ao Governo Federal, pedindo, entre outras reivindicações, a equiparação de alíquotas de impostos da carne produzida pelos países integrantes do Mercosul; além de discussões sobre sanidade animal.
Hoje um dos problemas dos pecuaristas brasileiros, de acordo com Nogueira, é a concorrência da carne produzida nos países onde os promotores de crescimento (anabolizantes) são utilizados para engorda de bois, como na Argentina e nos Estados Unidos. A carne destes países acaba tendo custo menor de produção do que a brasileira. ‘‘Ou se permite o uso destes promotores de crescimento no Brasil, ou se impede a importação da carne daqueles países.’’
Incentivar consumoDe acordo com Nogueira, em 1996 houve muita matança de fêmeas e isso deverá influir na oferta de boi magro e bezerros em 1997, com tendência a reduzir a lucratividade da engorda. No mercado ele não vislumbra muita reação nos preços da carne. ‘‘A tendência de preços não deverá fugir do que foi praticado em 96.’’ O Sindipec pretende fazer campanhas de marketing para aumento de consumo da carne bovina, destacando as qualidades da carne vermelha frente a outras opções de proteína animal.
Mesmo com as dificuldades de mercado o presidente da entidade afirma que os pecuaristas continuam investindo em produção e produtividade. Segundo Nogueira isto se mostra a cada ano quando diminui a entressafra do boi.
‘‘A pecuária nacional vem sofrendo mutação rápida. Antigamente, na safra havia oferta excessiva de boi e, na entressafra, oferta reduzida ou até falta de carne. Com os confinamentos e semiconfinamentos, melhoria de pastagem e rotação de pastos, o pecuarista foi suprindo o problema da falta de carne na entressafra e conseguiu manter a produção do boi gordo também na seca e maior estabilidade de oferta no mercado.’’ A tendência, segundo Nogueira, é que a entressafra vá se diluindo, para equilibrar a oferta de animais também na época de seca.

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