Análise de solo vai mudar no Paraná
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de abril de 2006
Reportagem Local 
Agrônomos e produtores devem ficar atentos. A partir de janeiro de 2007, os laboratórios do Paraná passarão a exibir em seus laudos o teor de matéria orgânica e não mais a fração carbono, como é feito atualmente. A informação é do químico Mário Miyazawa, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e diretor-executivo da Comissão Estadual de Laboratórios de Análises Agronômicas (Cela), órgão que define procedimentos técnicos e controla a qualidade dos laboratórios públicos e privados do Estado.
Do ponto de vista prático, a mudança facilitará a vida dos agrônomos, diz Miyazawa. Atualmente, chega-se ao teor de matéria orgânica no solo por meio de cálculos. A nova apresentação dispensa cálculos, o laudo vai trazer o total de matéria orgânica já pronto, em gramas por decímetros cúbicos, explica o pesquisador.
A mudança tem razões ambientais. De acordo com o pesquisador, os laboratórios utilizam dicromato de potássio para determinação dos componentes orgânicos do solo. É um reagente que contém cromo, um metal altamente poluente, explica Miyazawa. No Paraná são feitas cerca de 200 mil análises de solo por ano, o que consome cerca de 100 quilos do reagente e produz em torno de 400 quilos de resíduos tóxicos.
O problema é a destinação dos resíduos, já que a legislação impede que eles sejam lançados no ambiente. Segundo Miyazawa, a opção dos laboratórios tem sido o acondicionamento em tambores. Alguns tentam recuperar o cromo por meio de novos tratamentos químicos, mas é um procedimento caro e pouco compensador, avalia.
Para contornar a dificuldade, os laboratórios paranaenses decidiram adotar outra metodologia denominada pelos técnicos de método de incineração , que não gera resíduos tóxicos e, curiosamente, era a prática utilizada até a década de 50, quando foi abandonada porque apresentava problemas operacionais, agora superados graças ao avanço da tecnologia, explica Miyazawa.
Integram a Comissão Estadual de Laboratórios de Análises Agronômicas (Cela) os laboratórios: FFALM e Lanasolo (Bandeirantes); Faculdade Integrada (Campo Mourão); Coodetec e Solanalise (Cascavel); Embrapa Florestas (Colombo); Maravilha Ltda. (Coronel Vivida); UFPR-Solos (Curitiba); Biosollo (Foz do Iguaçu); Terranálise (Francisco Beltrão); Laboratório de Química e Física e Tecsolo (Guarapuava); Embrapa Soja, Iapar e Laborsolo (Londrina); Santa Rita (Mamborê); Unioeste (Marechal Rondon); Sociedade Rural, UEM-Agronomia e UEM-Química (Maringá); Lagro (Paranavaí); UFTPR (Pato Branco); Iapar, Interpartner e UEPG (Ponta Grossa); PUC-PR (São José dos Pinhais); Ghellere (São Miguel do Iguaçu); Funtec (Toledo); Solo Fértil (Umuarama).


