A empresária Jennifer Kaphan, do município de Rolândia, cultiva 55 alqueires de laranja, cerca de 52 mil plantas, que estão com diferentes idades e estágio de produção.
A maioria dos produtores da região obedece sequência da maturação fisiológica de cada variedade estendendo a colheita até dezembro.
No ano passado, Jennifer teve uma produtividade média de 2,8 a 3 caixas por planta, com talhões que renderam de quatro a cinco caixas. Este ano, ela está prevendo uma quebra de 20% a 30%, a mesma porcentagem que está sendo projetada para safra nacional. O Paraná não é exceção porque teve os mesmos problemas climáticos. Mas não foi apenas o clima, segundo técnicos, já que a laranja alterna anos de alta e baixa produtividade.
No ponto - O início da colheita é indicado por análises que acusam o ponto de maturação ideal. Para a maioria dos produtores, após término da colheita da variedade Iapar 73, haverá uma pausa para, em seguida, iniciar a colheita das demais variedades. Em julho é colhida a laranja Pêra, seguida da Valência e da Folha Murcha.
Este ano as plantas apresentaram alterações fisiológicas, com floração extemporânea. ''Talvez tenhamos que fazer duas colheitas'', comenta a produtora Jennefer.
A comercialização não preocupa Jennifer Kaphan e os demais produtores porque é totalmente feita pela cooperativa - que, segundo ela, dá assistência integral desde o plantio.
O pai de Jennifer Kaphan chegou na região em 1936. O sítio é tradicional produtor de café, foi um dos pioneiros na cana e foi o primeiro a plantar laranja na região, quando ainda havia dúvida sobre a viabilidade da cultura. A propriedade é ponto de referência em tecnologia e administração.
Exigente - Para obter boas produtividades é preciso acompanhar a lavoura em todas as suas etapas o que requer muita dedicação, explica Jennifer. Mas o sistema integrado dá segurança e tranquilidade para o produtor que deve se preocupar em cuidar bem da lavoura. ''Para isso a gente tem toda assistência técnica da cooperativa e o que os agrônomos recomendam a gente não tem dificuldade em encontrar porque a cooperativa fornece. É tudo muito bem organizado'' - resume. Além disso, a laranja é uma commodity com preço voltado ao mercado internacional.
No ano passado, por exemplo, o fator câmbio ajudou a garantir bons lucros. Quando os agricultores compraram os insumos (venda antecipada da Corol) o dólar ainda não tinha aumentado. Depois que eles fecharam os contratos, o dólar aumentou muito e eles venderam a produção com o câmbio em alta.
Monitoramento - A cada 10 dias são feitas vistorias em 1% de cada talhão. Isto vai indicar se há necessidade de algum tratamento químico. Leva-se em conta parâmetros como nível de ataque, de danos, condição da lavoura, etc.
''Nós não entraríamos aplicando um acaricida ou inseticida sem que o nível de ataque estivesse exigindo'' - comenta Jennifer.
No caso de pragas, se houver uma boa presença de inimigos naturais não há razão para entrar com aplicação de defensivos.
''Não se faz tratamento preventivo. Não se joga veneno quando se tem outras formas de controle'' - resume a produtora.
Além disso, os produtos químicos são seletivos aos inimigos naturais.
O resultado de tanto cuidado com o manejo é a formação de um nível de inimigos naturais muito alto na propriedade. ''Percebemos que o pomar está equilibrado. É porque fazemos o manejo integrado de pragas'' - diz a produtora. Ela lembra que o mercado está exigindo esses cuidados. ''E a natureza agradece'', conclui.
Sobre a alternância de alta e baixa produtividades na citricultura, o fato se assemelha ao café que tem ano sim ano não, segundo os técnicos de campo. No Estado de São Paulo, a quebra atual é atribuída ao ''excesso'' de carga de duas safras anteriores.
Mas isto não é totalmente válido para a variedade Iapar 73. Segundo o pesquisador do Iapar, Rui Pereira Leite, trata-se de uma variedade de produção regular, estável, que não tem muita alternância. Além dessa característica, ela tem como atributo o padrão uniforme e se destaca por ser fruta muito saborosa.

mockup