Cebola é colocada, no mercado, sem classificação (Ceasa de Cascavel)Apesar da concorrência com o Mercosul, a cebola é uma atividade rentável da horticultura. Basta que o produtor atue com mais profissionalismo e fique alerta para as novas tendências de mercado que exigem classificação, padronização e identificação do produto, afirma a engenheira agrônoma do Deral, Rossana Catie Bueno de Godoy. A discussão sobre a qualidade da cebola produzida no Paraná foi tema de um encontro, realizado em Irati no mês passado, que reuniu cerca de 500 produtores da região. Segundo a Emater, Irati responde por 25% da produção estadual.
A cebola do Paraná já é competitiva em qualidade com a cebola de Santa Catarina e da Argentina. Atualmente 57% da produção paranaense são da variedade crioula, cujo formato é semelhante à cebola importada e é de boa apresentação, afirmou a técnica. Mas falta um empenho maior dos produtores na aplicação de tecnologia para elevar a produtividade: a produtividade da cebola no Paraná é de 11.000 quilos por hectare, segundo a Emater. Em Santa Catarina, sobe para 23.000 quilos por hectare.
As embalagens ainda são inadequadas e não atendem as exigências do mercado de modernização
Como melhorarPara elevar a produtividade, os técnicos recomendam o uso de plantio direto, irrigação e o emprego de sementes de boa qualidade. Essas técnicas estão disponíveis ao produtor, mas não saem barato. Para implantar cinco hectares de lavoura tecnificada, o produtor tem que desembolsar US$12.000,00. O retorno é garantido e rápido. A previsão é que em cada real investido, um vem de retorno no espaço de uma safra. ‘‘O difícil é começar’’, admite o técnico da Emater de Imbituva, Alcion Fleury.
O fato é que a cebola tem mercado garantido no Brasil. Por isso os produtores devem investir para se tornarem mais competitivos no mercado e reduzir as importações, que estão crescendo todo ano, alertou Catie. Segundo ela, atualmente, 85% das exportações de cebola da Argentina são direcionadas para o Brasil. Em 1995 o Brasil importou 192.123 toneladas, em 1996, 264.151 toneladas e em 1997, 287.500 toneladas.
No supermercado, em Curitiba
No Paraná o cultivo de cebola é feito por 5.600 produtores, que produzem 60 mil toneladas, colocando o estado em quinto lugar no ranking nacional. Nesta safra o produtor conseguiu comercializar a produção entre R$4,50 e R$5,00 a saca de 20 quilos, em média. Essa cotação é superior ao custo de produção, avaliado entre R$3,50 e R$4,00 a saca.
OrganizaçãoDurante o encontro os produtores tiveram noções de organização como estratégia para conquistar novos mercados. Para Fleury, de Imbituva, os produtores paranaenses precisam fazer uma volume de produção suficiente para sustentar uma negociação agressiva no mercado. O produtor que não se conscientizar sobre essa tendência, terá dificuldades de sobrevivência, frisou o técnico.
Segundo ele a qualidade da cebola do Paraná não é inferior à produção de outros Estados, nem mesmo da Argentina. Fleury concorda com a técnica do Deral que diagnosticou a necessidade de o produtor se organizar para fazer um trabalho de classificação do produto, conforme a qualidade e o sabor (mais doce, mais ardido, mais suave) em embalagens adequadas, para atender o consumidor. Atualmente todos os produtos são comercializados, sem qualquer identificação, e o consumidor não sabe o que está comprando, acrescentou. Entre as sugestões discutidas está a apresentação de cebola em forma de salada, já pronta.
As variedades de cebola de sabor mais suave (que não faz a dona de casa chorar) estão sendo introduzidas em São Paulo. Provavelmente nas próximas safras deverão chegar ao Paraná, acreditam os técnicos.

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