Amora-preta é opção para regiões mais frias
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sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
O cultivo de amora-preta pode ser boa opção para pequenos produtores das regiões mais frias do Estado. É o que indicam os primeiros resultados de um estudo que o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) conduz há cinco anos na fazenda experimental que mantém no município da Lapa. Outro experimento foi realizado na região de Cerro Azul, onde o clima subtropical requer um manejo diferenciado para a cultura.
De acordo com a pesquisadora do Iapar na área de Fitotecnia, Programa de Pesquisa em Fruticultura Claudine Maria de Bona, responsável pelo projeto, o estudo, realizado em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), avalia aspectos relacionados à produtividade e qualidade da fruta, além de critérios fenológicos, que remetem à relação dos fenômenos cíclicos das plantas com sua localização geográfica e as características predominantes do clima. Em uma etapa posterior foi analisada também a aceitação dos frutos pelos consumidores. Por enquanto as amoras produzidas pelo Iapar ainda não foram comercializadas.
Claudine explica que a amoreira-preta tem despertado o interesse dos agricultores pela rusticidade, versatilidade e retorno econômico rápido. "Bem adaptadas, as plantas podem atingir alta produção já no primeiro ano após o plantio e os frutos podem ser comercializados in natura ou na forma de polpa, suco, sorvete e compotas", descreve a pesquisadora, citando que a cultura é bastante resistente a pragas e doenças, podendo ser cultivada de forma orgânica.
A pesquisadora explica que a amora-preta precisa de um clima temperado - com inverno frio e seco e verão ameno e com pouca chuva para facilitar a floração e frutificação. O cultivo é realizado por meio de mudas, e são necessárias de 20 a 30 plantas para iniciar uma pequena produção rentável. No Brasil, a safra vai de novembro a janeiro. O preço das mudas, segundo a pesquisadora, pode variar entre R$ 6 e R$ 10, dependendo do viveiro onde for adquirida.
Claudine lembra que a amora-preta cresce em todo tipo de solo e que apenas em alguns casos é necessária a correção com calcário. Apostar na adubação verde esterco, por exemplo - é o segredo para uma produção livre de agrotóxicos. Investir na irrigação por gotejamento também é fundamental para evitar o estresse hídrico da planta.
"O produtor pode usar uma área de beira de cerca para cultivar a amora-preta. É ideal plantá-la em sistema V ou T, usando arame ou madeira para conduzir as plantas, como trepadeiras. Isso evita que o fruto encoste no chão, facilitando a pode e a colheita, que é manual. Além disso evita perdas e deixa a planta mais arejada", completa a pesquisadora, destacando que a fruta requer pouca mão de obra para os tratos culturais.
"São necessárias no mínimo duas pessoas para dar conta de uma área de amora-preta. Depois de plantar a muda, basta esperar a época da floração, realizar a poda corretamente e após a colheita, retirar os ramos que já produziram, pois estes não produzirão mais", detalha Claudine, lembrando que a fruta é vendida normalmente in natura, em mercados locais, próximos aos produtores.
Ela aponta ainda que a demanda dos consumidores tem aumentado em virtude da qualidade nutracêutica da amora. "Os frutos são ricos em antioxidantes, que previnem os danos celulares causados pelos radicais livres", esclarece Claudine.


