O agricultor Valdemir Cremonesi é amigo da natureza. Com o pai, o irmão, o tio e o primo toca de forma racional a produção de grãos do sítio Alto Cafezal, no distrito de Piquirivaí, região de Campo Mourão. Os 400 alqueires são cultivados com soja e milho no verão e trigo e aveia no inverno. A diferença para com outras fazendas de grãos está na conservação das matas ciliares, que protegem as cinco nascentes do Rio do Campo localizadas na propriedade.
Pioneiro no projeto de qualidade do ambiente produtivo rural, desenvolvido pela Emater na microbacia hidrográfica do Rio do Campo, Cremonesi, assim como outros 143 produtores do município, pratica uma série de medidas que melhoram a produtividade da agricultura e, ao mesmo tempo, minimizam os impactos ambientais.
Plantio direto, rotação de culturas, monitoramento da lavoura, manejo integrado de pragas (MIP), tríplice lavagem das embalagens de agrotóxicos antes da devolução e uso de inseticidas menos agressivos ao homem e ao meio ambiente são ações básicas de manejo no sítio Alto Cafezal.
Segundo Cremonesi, com o uso do baculovírus e da vespinha a necessidade de aplicar inseticida na lavoura era mínima até dois anos atrás. ''O MIP era bastante utilizado, mas a incidência de pragas mais resistentes na lavoura nos obrigou a usar produtos mais seletivos nas últimas safras'', conta.
Desde que mudou de Ivatuba, na região de Maringá, para Piquirivaí, o produtor tem investido em práticas conservacionistas. ''Somente no primeiro ano o plantio foi convencional'', relembra o agricultor, que mantém uma área de preservação permanente e reserva legal há pelo menos sete anos no sítio.
Para Cremonesi, os efeitos da conservação são sentidos a longo prazo mas, segundo ele, o sítio não tem sofrido tanto com a seca quanto outras áreas do Estado. ''Além disso, com o plantio direto acabou a erosão. Antes, qualquer chuvinha inundava as terras. Hoje não tem mais enchente. Outra vantagem do sistema é a facilidade de trabalho'', pontua.

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