O consumo de madeira no Paraná, avaliado em 20 milhões de metros cúbicos por ano, está sendo atendido pelo corte dos reflorestamentos feitos com incentivos fiscais, nas décadas de 60 e 70, pelas indústrias de papel e celulose. Por isso, o déficit, que fora previsto, nos segmentos de serrarias, móveis e energia, pode não se concretizar nos próximos anos, como havia sido previsto.
Segundo técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o equilíbrio no abastecimento global de madeiras no Estado deve se manter nos próximos anos. Mas, a preocupação com o déficit de madeira persiste, porque os investimentos nesse setor têm que ser feitos a longo prazo, explicou o engenheiro florestal Eleutério Langowski, da Diretoria de Desenvolvimento Florestal do IAP.
ConsumoAtualmente, o setor de energia que abastece residências (zona rural), indústrias e comércio é o que mais absorve matéria-prima, com um consumo anual 11,7 milhões de metros cúbicos de madeira. As serrarias consomem 3 milhões de metros cúbicos, as empresas de celulose, 2,6 milhões de metros cúbicos e as empresas de papel, 5 milhões de metros cúbico por ano. Cerca de 92% desse consumo são abastecidos com madeira oriunda dos reflorestamentos. Apenas 8% do consumo são atendidos com madeira de florestas nativas. Esse desempenho revela que o Paraná não depende mais de florestas nativas para manter o consumo de madeira, frisou o técnico do IAP.
No setor energético, o atual consumo provoca uma defasagem anual de 23.799 hectares de reflorestamento para suprir as necessidades no setor industrial, agropecuário e comercial. As projeções indicam aumento da demanda em função de dois fatores: desenvolvimento e crescimento demográfico.
RiscosO risco de déficit de madeira a partir de 2005 permanece, porque o reflorestamento estava abaixo das necessidades. Só neste ano os programas implantados pelo IAP, em 1995, começaram a sinalizar os primeiros resultados. O IAP criou três programas que prevê a reposição florestal, sendo o maior deles o Serflor - Sistema Estadual de Reposição Florestal Obrigatória, que obriga as empresas a repor o material consumido.
O replantio por parte das empresas consumidoras está sendo feito via Emater, que criou a Bolsa de Árvores, sistema que intermedia o contato entre a empresa que precisa replantar as árvores, mas não tem área própria, e os produtores que se dispõem a plantar em favor dessa empresa.
Através da Bolsa de Árvores, a empresa consumidora de madeira vai até a Emater e paga R$0,50 por árvore, que corresponde a aproximadamente R$2,00 o metro cúbico. Por outro lado, o pequeno produtor que se dispõe a fazer o replantio, pode plantar até 20 hectares por ano, que corresponde a 40.000 árvores, recebendo por isso R$800,00 que equivalem ao pagamento de R$1.000,00, menos a taxa de 20%, de intermediação da Emater. O limite por produtor objetiva a concentração do reflorestamento no Estado, explicou Langowski. A Bolsa de Árvores é utilizada pelos empresários que não têm área própria para o plantio. Já as grandes empresas consumidoras de madeira estão fazendo o replantio por conta própria, disse o técnico.
FuturoA previsão do IAP é replantar 100 milhões de árvores este ano, através do Serflor. Com os outros dois programas em execução - o reflorestamento municipal e o repasse de sementes e mudas aos produtores rurais -, a previsão é que a partir do ano que vem cerca de 120 milhões de árvores serão plantadas. Esse volume equivale ao plantio anual realizado na época dos incentivos fiscais. ‘‘Se esse volume de plantio for mantido daqui para frente, não haverá déficit de madeira no Estado’’, garantiu Langowski. A preocupação do IAP é com a manutenção dos programas, que na avaliação do técnico são baratos como investimentos por parte do governo e eficazes na garantia de oferta de madeira nos próximos anos.
Para a fabricação de móveis no Paraná, as madeiras nobres têm que ser buscadas bem longe. Somente são produzidas no Estado madeiras como pinus e eucalipto, que servem mais para o ‘‘recheio de estofados’’ e fabricação de móveis populares. Segundo José Roberto Pontalti, secretário geral do Sindicato das Industrias de Móveis de Arapongas (Sima), no Norte do Estado, a maior parte das madeiras utilizadas na região vem de reflorestamentos do Sul do Paraná, Ortigueira, União da Vitória, e também do Norte de Santa Catarina. As madeiras mais utilizadas são pinus, eucalipto, pinho e santa bárbara.
Cientes do colapso que pode acontecer nos próximos anos com o abastecimento de madeiras o Sima, que representa 125 pequenas indústrias da região, vai iniciar no próximo mês a instalação de viveiro de mudas com o objetivo de fazer reflorestamento numa área de 400 ha. ‘‘Queremos iniciar o viveiro com produção de 600 mil mudas e ir ampliando até chegar a 6 milhões de mudas de eucalipto e pinus’’, informa Pontalti. O projeto é uma parceira do Sima com as indústrias, prefeitura e Emater. O consumo anual de madeiras destas indústrias é de 600 mil metros cúbicos.
Para o coordenador de Desenvolvimento Florestal da Emater, Jorge Mazuchowski, uma das causas do déficit existente hoje é que nos últimos 25 anos a política florestal esteve voltada somente para a indústria de papel e celulose. Hoje os setores mais ameaçados pela crise com reposição insuficiente são as serrarias, as indústrias de compensados e laminados e produção de energia, com destaque para a utilização de lenha no setor industrial.
No Brasil, o setor florestal contribui com US$16,5 bilhões no PIB, tem hoje cerca de 4,6 milhões de hectares de florestas plantadas e 3 milhões de hectares de florestas nativas com planos de manejo, que geram em torno de 700 mil empregos diretos e 2 milhões de indiretos.
Colabororação de Vânia Casado da Sucursal de CuritibaPaulo WolfgangAs mudas mais procuradas para o reflorestamento são as de eucalipto
ArquivoSobrasOs reflorestamentos das indústrias de celulose e papel estão abastecendo outros segmentosCristina Côrtes

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