Ameaça até as culturas da época
Apesar de as culturas de inverno, plantadas nesta época, serem resistentes a baixas temperaturas, uma geada forte pode acabar com o trigo, café, aveia e até as pastagens de inverno, como ocorreu em 1995, lembra o meteorologista da Seab, Agenor Santa Rita.
Para Santa Rita, se as previsões do Serviço de Meteorologia do Paraná (Simepar) se confirmarem, os produtores poderão ter muitos prejuízos. Produtos como milho-safrinha, café, olerícolas e a produção de leite poderão ser afetados, diz o técnico. Santa Rita antecipa que, principalmente, o milho-safrinha e o feijão de inverno poderão ser mais prejudicados por uma queda acentuada das temperaturas. Ele lembra que essas culturas são de alto risco e são plantadas fora da época recomendada para pesquisa.
PerigoA ocorrência de geadas fortes representará maior perigo para o trigo, se a cultura estiver na fase de emborrachamento, formação de grãos. As geadas secam a água, dentro da planta, que iria ajudar a formar o grão, e a planta morre. Não dá nem para o gado comer, resume. O café é outro produto que sofre mais com as geadas e por isso ele é plantado nas regiões mais quentes do Estado, acima do paralelo 24, onde o risco é menor. Os produtos olerícolas também sofrem quebra de produção.
Arquivo FRSensibilidadeMínimas de 5 graus já podem afetar as bananeirasPor isso, está sendo ampliada a produção de olerícolas no litoral do Estado. Mesmo com o custo do frete compensa produzir hortaliças e legumes para abastecer o mercado de Curitiba e do Estado nesta época do ano, afirma o agrometeorologista.
Chuva e frioSegundo o Simepar, os meses de junho e julho terão clima mais chuvoso, o que deve afastar as temperaturas mais baixas. Nos meses de agosto e setembro as chuvas deverão estar abaixo da média dessa época do ano, caracterizando até um período de estiagem. Em compensação a tendência da temperatura nesses dois meses é ficar abaixo da média e a fase final do inverno deverá ser um pouco mais rigorosa, alerta o meteorologista do Simepar, Cezar Gonçalves Duquia. Segundo ele, a volta das condições normais previstas para este inverno caracterizará o enfraquecimento do El Ni¤o, e o início da corrente La Ni¤a, que provoca queda das temperaturas na região Norte do Planeta.
Os produtores de soja do Sul estão apostando nessa ocorrência climática para frustrar a safra norte-americana, cuja previsão para este ano aponta para uma colheita de 76,6 milhões de toneladas de soja, uma verdadeira explosão de produção que quebraria o recorde do ano passado, quando foram colhidos 74,2 milhões de toneladas. Até agora o clima nos Estados Unidos tem sido favorável ao desenvolvimento das lavouras e só uma reversão provocada por uma corrente climática poderia frustrar essa previsão. Para o analista da Cotriguaçu, Fernando Muraro, por enquanto tudo é especulação.
Para o técnico do Departamento de Economia Rural, da Seab, Adélio Borges, se o inverno deste ano for caracterizado pela ocorrência de chuvas na primeira fase e geadas na segunda, haverá sobra de pastagem, o que ajudará a sustentar os preços do boi gordo no mercado.
Temperaturas médias de julho, previstas pelo Simepar, para o Estado do Paraná:
Curitiba - 12,7º
Sul - 11,5º
Norte - 17,7º
Litoral - 16,4º
Oeste - 15,8ºOs cafeeiros são prejudicados quando a temperatura desce a -3,5 graus centígradosVânia Casado
Curitiba





