Todos conhecem a frase “...é melhor ensinar a pescar do que dar um peixe...”. Isso é bastante óbvio, mas merece uma boa reflexão. Se ensinarmos a pescar, mas o “aprendiz de pescador” estiver no meio do deserto, é provável que ele venha a morrer de fome. E, mesmo estando perto de um rio ou lago, seria bom verificar se existem peixes nessas águas.

De certa forma, isso pode ser extrapolado para outras situações, como a área do empreendedorismo inovador.

Uma empresa consolidada ou uma startup que busca inovar, muitas vezes se depara com um ambiente inadequado ou até hostil à Inovação. Por mais que o empreendedor “saiba pescar”, às vezes falta peixe no lago em que ele navega. Ou o lago está tão poluído que os peixes não sobrevivem.

Assim, é bom saber quais as características de um “bom lago” para a Inovação...

Em primeiro lugar vem o acesso, pessoal ou virtual, a fontes de informações e conhecimento. A proximidade (e interação...) com Universidades e Institutos de Pesquisa é essencial para o desenvolvimento de inovações tecnológicas. Na falta da proximidade geográfica, pelo menos ser possível outras formas de conexão.

Em seguida, vem a questão da obtenção de recursos para a inovação. Se o empreendedor não tiver condições de mobilizar recursos próprios, vai necessitar de acesso a recursos externos à empresa tais como “investidores anjo”, fundos de capital de risco, bancos ou agências de fomento.

A disponibilidade de estruturas de apoio à inovação também faz parte desse contexto externo. O processo de inovação fica bem mais fácil se contar com Incubadoras ou Parques Tecnológicos ou outros instrumentos similares.

A existência de um mercado diversificado e bem estruturado também é relevante. Mesmo que o desenvolvimento da inovação se concentre dentro da empresa, com certeza vai necessitar do aporte de bens e serviços de fornecedores externos.

Finalmente, mas não menos importante, há fatores intangíveis representados pela inserção e interação com a sociedade presente no entorno da empresa. Os contatos positivos com amigos, parentes e até mesmo competidores contribuem significativamente para o sucesso do processo de inovação, reforçando as ações do empreendedor.

Em resumo, o empreendedor interessado em inovar necessita “saber pescar” mas precisa também estar “pescando” em um lago que lhe dê boas condições de sucesso. Ou seja, estar inserido em um Ecossistema de Inovação que proporcione as condições que alavanquem seus esforços inovadores. Felizmente, aqui na região de Londrina, estamos conseguindo construir esses instrumentos de apoio que dão o necessário suporte aos empreendedores de diversos setores. E, dentre esses diversos instrumentos setoriais, com certeza destaca-se o Ecossistema de Inovação do Agronegócio, que consolida e promove a interação dos elementos de um bom ambiente de Inovação.

Paulo Sendin - Engenheiro Agrônomo e Membro da Governança AgroValley

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