Ambiência e transporte são gargalos na pecuária
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sexta-feira, 31 de agosto de 2018
Victor Lopes <br> Reportagem Local 

Diferentemente das aves e dos suínos, os bovinos são animais mais rústicos - menos suscetíveis ao calor e doenças - e estão num sistema de produção menos adensado, mais natural, menos artificial como nessas granjas. Assim, muitas questões ligadas ao BEA acabam sendo feitas pelos pecuaristas de corte e de leite de forma mais tranquila, como água em boa quantidade e qualidade, nutrição, dimensões de cocho adequadas, entre outras.
Um dos desafios que ainda estão na atividade - apesar de serem conceitos já difundidos - é na ambiência, fundamentalmente com o sombreamento das pastagens. Estratégia que, segundo a pesquisadora da Embrapa Gado de Corte, Fabiana Alves, de Campo Grande (MS), melhora a produtividade e sanidade dos animais, entre outros fatores. "Animais no pasto com conforto térmico têm aumento na produção de leite em 30%, por exemplo. Já os bezerros, que são suscetíveis ao calor, seja por meio da sombra natural ou sombrite, têm melhorias nas condições sanitárias e também incremento de peso", elenca.
Para isso, o produtor precisa fazer o arranjo das árvores de forma eficiente, já que a sombra é boa para o animal, mas ruim para a pastagem. "Com muita sombra o pasto não cresce. Por isso é preciso saber em quantos metros vai se plantar, se as árvores vão estar em linha ou dispersas e qual árvore é mais indicada para cada região."
Além dessa questão intrínseca do manejo, a pesquisadora também cita as dificuldades de transporte dos animais, que também englobam o BEA. "Temos uma legislação sólida para o transporte, mas o grande problema são as estradas, a logística. De forma geral, podemos dizer que o bem-estar animal evoluiu bastante nos bovinos, e deixou de ser apenas um princípio filosófico." (V.L.)


