Amarelinho, praga dos pastos
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sexta-feira, 26 de junho de 1998
Da Redação 
Arquivo FRPastagem tomada pelo amarelinho, no Norte do ParanáTemida por pecuarista e motivo de preocupação dos profissionais do setor agropecuário, a planta conhecida como amarelinho (Tecoma stans) começa a invadir o Oeste do Paraná. Sua presença na beira de rodovias e em propriedades rurais da região está servindo como um alerta. A Emater-PR está fazendo campanha de esclarecimento aos pecuaristas e, em conjunto com o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), pretende organizar palestras dirigidas a técnicos e produtores, para evitar que a praga continue se expandindo.
O técnico do escritório regional da Emater em Cascavel, Carlos Strapasson, considera a situação preocupante, pois o amarelinho tem se mostrado um destruidor potencial de áreas com pastagem. No Norte do Estado, por exemplo, onde existem os maiores focos, a invasora já inviabilizou grandes áreas. De acordo com o Iapar, ela está presente em cerca de 50 mil hectares de pastagem no Estado. Deste total, entre 10 mil e 12 mil hectares tornaram-se improdutivos. Para enfrentar o problema, o primeiro passo é buscar informação, diz Strapasson.
AgressividadeSegundo Walter Miguel Kranz, especialista em plantas invasoras do Iapar, o amarelinho desenvolve-se rapidamente e é muito agressivo. O problema é que a espécie se reproduz com grande facilidade, sombreando, em pouco tempo, toda a pastagem, que acaba morrendo por falta de energia solar, explica. Nativo do México, da mesma família do ipê, o amarelinho chegou ao Brasil como planta ornamental, ainda no século passado. Devido à beleza de suas flores amarelas, presentes praticamente o ano inteiro, é fácil encontrá-lo nos jardins ou praças de muitas cidades brasileiras.
A utilização da planta na ornamentação foi um erro que está custando caroNo Paraná, a maior concentração dessa praga é em municípios da região Norte como Apucarana, Londrina e Jandaia do Sul, onde possívelmente se encontra a mais antiga planta da espécie, com mais de 30 anos de idade. Na região Oeste, o amarelinho aparece também em vários municípios, principalmente em Corbélia e Catanduvas.
A proliferação da espécie é rápida, porque o amarelinho floresce e sementeia o ano todo. Como suas sementes são muito leves, o vento se encarrega de espalhá-las. Ao mesmo tempo, suas sementes são transportadas involuntariamente por caminhões e veículos de passeio a longa distância, lembra o especialista do Iapar. Isto explica o grande número dessas plantas junto das rodovias. Uma vez presente na beira das rodovias, não demora muito para que a invasora se instale nas áreas de pastagem, alerta Kranz.
ErradicaçãoRústico, o amarelinho se adapta a qualquer tipo de solo e clima. Se houver espaço, afirma Kranz, ele se reproduz rapidamente. Por isso, erradicá-lo não é tarefa fácil. Quando a população de plantas é alta, sua eliminação pode até se tornar inviável. Por isso, é melhor agir antes que a situação fuja ao controle, alerta o pesquisador.
O simples corte ou arranquio das plantas não resolve, porque o amarelinho rebrota rapitamente tanto do tronco, como dos galhos e da raiz. O Iapar recomenda que, em áreas mecanizáveis, a erradicação seja feita com trator de esteira de lâmina dianteira dentada. Assim, faz-se o arranquio, enleiramento e posterior queima. Depois, é preciso também fazer a catação das mudas que brotarem. Em outras áreas é possível ainda o controle químico, embora os custos sejam mais altos e os resultados demorem mais a aparecer.
Kranz lembra que, dependendo da área, o valor pago para a eliminação do amarelinho é maior que o valor da propriedade. O controle mecânico pode custar entre RS$200 a RS$500 reais por hectare. No caso do controle químico, o custo médio do produto recomendado pelo Iapar, sem contar a mão-de-obra, é de RS$0,29 por planta. Neste caso, o custo é proporcional ao nível de infestação na propriedade. Mas, o melhor mesmo continua sendo evitar que a invasora se instale na propriedade. Visitas periódicas às pastagens e eliminação das plantas ainda jovens são práticas recomendáveis.


