Amarelinho inviabiliza áreas
As condições climáticas da última primavera, com muita chuva, foram ideais para a expansão do amarelinho em todo o Estado. O amarelinho é uma planta inicialmente usada como ornamental, da família das Bignoniáceas, originário do México, que nos últimos anos tornou-se um tipo de praga, principalmente nas pastagens, por abafar, competir e matar outras plantas nas áreas onde cresce.
Uma estimativa do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) indica que no Paraná, em muitas regiões, o amarelinho já inviabilizou várias áreas de pastagem, chegando a atingir 10 mil hectares. Invade e domina também áreas de matas ciliares, reflorestamentos, parques e áreas de regeneração natural.
Quando chega no campo invade morros e inviabiliza as pastagensEm todo cantoO aparecimento da planta, hoje considerada no Paraná como invasora de pastagem, ainda está mais concentrado no Norte e Oeste do Paraná, mas ela existe em praticamente todas as regiões do Estado.
No Norte do Paraná, de Jacarezinho a Apucarana, segundo o pesquisador da área de Fitotecnia do Iapar, Walter Kranz, o amarelinho tem causado os maiores danos, econômicos e ecológicos.
Praga mesmoInvadindo matas e reservas, o amarelinho altera a biodiversidade do local, domina o ambiente, competindo com plantas nativas que mantêm animais e insetos. Nas pastagens, abafa as plantas e acaba matando o pasto. A predominância da invasora, no entanto, alerta o pesquisador, está nos pastos mal manejados e que não estão limpos. Daquele pecuarista que coloca os animais no pasto e vai pescar, brinca.
Da cidade para o meio rural se propaga pelo vento. O homem é grande dispersorKranz tem viajado por todo o Paraná, para atualizar dados sobre o amarelinho feitos num primeiro levantamento há três anos. Pelo que vi, há um aumento significativo da invasora, tanto em margens de rodovias como dentro das propriedades. E muita planta nova, o que demonstra que os produtores ainda não se deram conta do problema.
Nociva e invasoraEmbora exista no Paraná uma resolução sobre o assunto do amarelinho, em outros Estados a planta ainda é usada como ornamental. No final de 1997 o trabalho de alerta da pesquisa fez com que a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná publicasse uma resolução considerando a espécie nociva e invasora, que deve ser controlada.
A resolução traz ainda: ...multiplica-se facilmente por sementes e pedaços de caules e raízes, considerando que suas sementes são facilmente transportadas pelo vento e até por veículos. Fala também do controle como sendo difícil e oneroso, alertando para um cuidado preventivo. O controle químico ainda não é recomendado, por causa da legislação vigente.
Somente uma roçada não é suficiente para eliminá-la. Na rebrota volta com mais forçaOs produtores não se deram conta ainda da gravidade da presença da planta que acaba com as pastagens e reduz a capacidade de lotação de animais na propriedade. Por isso Iapar e a Emater estão realizando uma campanha de esclarecimento ao produtor, que só se dá conta quando o problema já é grave.
Manter áreas limpasO controle, quando já existe o amarelinho, que pode ser recomendado pela pesquisa hoje se restringe primeiro em fazer a roçada das plantas, para que não haja produção de sementes; depois fazer o arranquio e queima do material.
O pesquisador não recomenda colocar fogo na pastagem, como fazem muitos produtores, com objetivo de destruir as árvores do amarelinho. O fogo, segundo ele, além de outros efeitos negativos ao ambiente já conhecidos, não mata a planta, e sim favorece ainda mais a rebrota das raízes que ficaram na terra.
Mudanças no manejo Mesmo depois do arranquio, segundo o pesquisador, deve-se fazer uma vistoria na área, para eliminar galhos e raízes. São recomendados também a reforma da pastagem e um manejo diferenciado com piquetes onde o pasto ficaria mais alto. Isto porque, se a semente do amarelinho cair na área, não chegará ao solo e acabará morrendo. É preciso mudar a mentalidade dos produtores; mudar o sistema de manejo das pastagens e colocar os animais em pastos mais altos; enfim, é necessário que o produtor seja mais profissional.
As viagens que Kranz tem feito pelo Estado vão resultar num relatório sobre o avanço do amarelinho, que deverá ficar pronto em setembro. Ele avisa que, além do amarelinho, tem encontrado outras plantas invasoras problemáticas também em lavouras, como um tipo de picão-preto que é usado como planta ornamental.
No caso do amarelinho, conforme Kranz, o principal dispersor é o homem. Além de usar a planta como ornamental, o homem leva as sementes involutariamente, nos veículos. O vento também carrega as sementes por quilômetros. Kranz avisa que o Iapar está aberto para identificação do amarelinho ou outras plantas invasoras e também para palestras em localidades onde o problema já apareceu.
Problema mundialPor volta de outubro, novembro e dezembro, ocorre a produção de sementes. A planta concentra sua florada nos meses de julho, agosto e setembro. Há crescimento rápido e com um ano já produz flores e sementes.
O amarelinho não é problema só no Brasil, mas também Argentina, Guatemala, Ilhas Virgens e até na Flórida, entre outras regiões. No seu país de origem, o México, hoje ainda é cultivado como ornamental, até porque o clima de lá não favorece seu desenvolvimento o ano todo.Arquivo pessoalBonita, mas...A árvore usada como ornamental chama atenção pela beleza das floresCláudia Barberato





