Amarelinho domina mais da metade do Paraná
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sexta-feira, 22 de abril de 2005
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Mais de 20 mil hectares do Paraná estão tomados pela Tecoma stans, o amarelinho. A estimativa é de que a engorda de pelo menos 80 mil bois é prejudicada, anualmente, em pastagens onde há infestação da planta. A informação é de Walter Kranz, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), que visitou diversas propriedades nos últimos 30 anos com o intuito de diagnosticar a presença de espécies exóticas invasoras na fauna e flora do Estado.
Originário do México e do Sul dos Estados Unidos, o amarelinho, também conhecido como ipê-mirim, foi introduzido no Brasil como uma planta ornamental. A citação mais antiga de sua ocorrência data de 1871, em um jardim na cidade de Santos (SP). Hoje, a espécie está disseminada no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
No Paraná, o amarelinho é encontrado na área urbana, nas margens de rodovias e, ainda, como invasor de pastos degradados. Segundo Kranz, a infestação domina mais da metade dos municípios paranaenses, começando pelo Norte Pioneiro e se estendendo até a cidade de Realeza, no Sudoeste do Estado.
A beleza das flores e a leveza das sementes facilitam sua disseminação, seja pela ação do vento e das chuvas ou pela ajuda do próprio homem. De crescimento vigoroso, a planta forma arbustos ou pequenas árvores que podem atingir até 10 metros de altura.
''A intensidade da sombra elimina, por esgotameto, as espécies forrageiras localizadas sob as copas do amarelinho'', aponta Kranz. Além de pastagens, a espécie invade e domina matas ciliares, reflorestamentos, parques e áreas de regeneração natural.
O pesquisador do Iapar afirma que no Paraná, o controle é dificultado por uma lei estadual que impede o uso de herbicidas. A única forma de controlar a infestação, segundo ele, é roçar e queimar a planta, mas o custo da erradicação é muito alto. ''Pode levar anos até que o pecuarista consiga esgotar o banco de sementes'', diz.
A melhor alternativa é mesmo evitar a introdução dessa espécie na propriedade. Mas se área já estiver infestada, a dica é roçar o local antes da frutificação, para evitar a produção de sementes. No controle mecânico devem ser usados equipamentos com lâminas dentadas para que as plantas sejam arrancadas e enleiradas. A queima evita o enraizamento e a formação de novas populações.
De acordo com Kranz, o monitoramento das áreas é fundamental e complementa o processo de erradicação. Mesmo assim, a maior parte dos pecuaristas não demonstra interesse em se livrar do problema. ''Eles só resolvem agir quando os problemas financeiros aparecem'', reclama. (M.G.)


