Cristina Côrtes
Os produtos minimamente processados estão conquistando cada vez mais espaço nas prateleiras dos supermercados, mostrando uma tendência crescente da preferência dos consumidores por alimentos selecionados e de mais qualidade. Comercializados a um preço mais alto, os frutos e hortaliças embalados agregam renda ao produtor, mas exigem investimento e treinamento.
As pesquisas e estudos nesta área estão apenas começando no Brasil, e alguns resultados foram apresentados em palestra durante o Simpósio de Viabilização da Média e Pequena Propriedades, promovido na semana passada pela Secretaria Municipal de Agricultura em Londrina. A pesquisadora Maria Isabel Fernandes Chitarra, da Universidade Federal de Lavras (MG) falou para produtores e técnicos sobre as vantagens do processamento mínimo de frutos e hortaliças.
PerdasNo Brasil, embora haja grande disponibilidade de produtos hortícolas com preços acessíveis ao consumidor, ainda ocorrem grandes perdas no campo e na fase pós-colheita. As perdas são motivadas pela falta de uso de tecnologias adequadas no cultivo, no manuseio, no armazenamento e na comercialização.
As perdas dos supermercados brasileiros na venda de frutas, legumes e verduras chegam a R$4 bilhões por ano. Na prática, significa que dos 55 milhões de toneladas produzidos no País, 13 milhões vão para o lixo, ou seja, cerca de 24% da colheita.
Segundo Maria Isabel, o processamento mínimo começa na colheita, que deve ser bem feita, passando pela limpeza, seleção, lavagem, desinfecção. Em seguida, dependendo do caso, passa pelo processo de descascar ou cortar, necessitando aí passar de novo pela desinfecção, depois a centrifugação, preparo, embalagem, transporte e armazenagem. ‘‘O processamento mínimo pode reduzir bastante as perdas na hora da comercialização’’, afirma.
‘‘O sucesso deste empreendimento depende do uso de matérias-primas de alta qualidade, manuseadas e processadas com elevada condição de higiene para manutenção da qualidade e prolongamento da vida útil’’, reforça.
FisiologiaO conhecimento das características fisiológicas de cada vegetal a ser processado, sejam frutos, folhas, talos, inflorescências, raízes, bulbos ou tubérculos, é fundamental para o produtor que deseja comercializar seu produto de forma diferenciada.
‘‘Quando cortamos ou descascamos um fruto ou hortaliça, o tecido é injuriado, ocorrendo perda da seiva celular, o que facilita o desenvolvimento de microrganismos’’, explica Isabel.
Após a colheita, as partes do vegetal têm vida independente e utilizam suas próprias reservas de energia acumulada nas fases de crescimento e de maturação. A elevada atividade metabólica conduz rapidamente ao processo de deterioração. ‘‘O produtor deve conhecer as transformações fisiológicas e bioquímicas que ocorrem nestes produtos durante seu ciclo vital.’’
MercadoOs produtos de valor agregado devem competir diretamente com o produto fresco. ‘‘Hoje existe uma forte tendência para consumo de produtos naturais, mas as donas de casa não tem mais tempo disponível para um preparo demorado de suas refeições. Então o produto minimamente processados entra num mercado para manter a garantia do produto fresco, com menos tempos de manipulação’’. Mesmo com preços mais altos, a pesquisadora acha que existe mercado para este tipo de produto.
Para competir, os produtores precisam investir em treinamento de pessoal, controle de qualidade em todas as etapas do sistema, e aquisição de equipamentos adequados. ‘‘Qualquer falha pode comprometer o resultado final e deixar o consumidor inseguro para adquirir o produto embalado’’, alerta.
Os investimentos não são baratos, e Isabel sugere que os produtores interessados se associem para racionalizar despesas e manutenção. ‘‘Como a maioria de produtores de hortifruti são pequenos, a alternativa é criarem associações que possam atender seus objetivos’’.
A pesquisadora Maria Isabel divulgou em Londrina uma fita de vídeo e manual que dão as informações básicas para quem deseja iniciar o processamento mínimo em sua propriedade. A fita foi produzida pelo Centro de Produções Técnicas de Viçosa, tendo consultoria de Maria Isabel. Quem tiver interesse pode entrar contato com a pesquisadora pelo telefone (035) 821-1515 ou fax (035) 829-1401Processamento mínimo de hortifruti exige tecnologia para garantir qualidade e segurança dos alimentos
QualidadeOs consumidores estão mais exigentes em qualidade e segurança dos alimentosJosué de CarvalhoSegundo Maria Isabel Chitarra, o processamento mínimo reduz as perdas na hora da comercialização

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