Degradação do ambiente e perda dos recursos naturais são uma preocupação dos cientistas do solo no Brasil. Por isso procuram novas tecnologias que aliem competitividade e sustentabilidade e a preservação do recursos naturais. Essa será uma das temáticas do 28º Congresso Brasileiro da Ciência do Solo, que acontecerá de 1º a 6 de julho, em Londrina.
O evento é promoção da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. Na organização participam quatro instituições de pesquisa sediadas no Paraná: Embrapa Soja, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Universidade Estadual de Londrina e Universidade Estadual de Maringá.
De acordo com os organizadores, o objetivo é discutir alternativas para promover a produtividade da agricultura brasileira de maneira sustentável. Segundo o pesquisador do Iapar, Arnaldo Colozzi Filho, um dos coordenadores do evento, a globalização trouxe para a agricultura metas de competitividade, para ingressar no mercado mundial, o que têm levado o agricultor a adotar processos que podem aumentar nível de degradação e perda dos recursos naturais.
Produção sustentável A pesquisadora da Embrapa Soja, Mariângela Hungria, avalia que a realização do congresso pode ajudar na discussão de alternativas que podem auxiliar o produtor a aumentar a produtividade, sem ferir solo e ambiente e, com isso, produzir com sustentabilidade.
Simplismente aumentar a produtividade, segundo a pesquisadora, pode ser fácil a curto prazo. ‘‘Você pode colocar uma quantidade enorme de adubos, por exemplo. Mas, nossa visão é aumento de produtividade com sustentabilidade, ou seja, pensando nas questões ambientais. Fazendo o manejo correto das lavouras e do solo, sem afetar o ambiente e, ao mesmo tempo, sendo competitivo e obtendo lucratividade.’’
Mariângela Hungria dá o exemplo do uso de nitrogênio. Colocado em excesso, o nitrogênio pode poluir. O uso racional do nutriente pode trazer economia ao produtor, sem afetar o ambiente. O pesquisador do Iapar lembra também da utilização de fertilizantes que precisa ser bem dimensionada, a fim de garantir maior absorção de água pelas raízes, especialmente de plantas perenes, como café, laranja e outras.
Evitar mais degradação O pesquisador do Iapar afirma que o mundo inteiro se preocupa com o solo, um recurso natural não renovável. ‘‘A medida que o solo é trabalhado ou cultivado de maneira incorreta, se não for preservado, estará irremediavelmente perdido. Temos no Brasil e no mundo vários exemplos de áreas que foram exploradas indevidamente e se transformaram em deserto. Voltar a produzir em áreas assim é muito difícil.’’
A exploração do solo altera as propriedades físicas, químicas e biológicas da terra. Se certos nutrientes não forem repostos de maneira adequada o caminho será a degradação. A agricultura de precisão, por exemplo, visa o monitoramento de características (físicas, químicas e biológicas) para entender o que se passa no solo, estudar aumento de produção e produtividade.
Do ponto de vista físico, existem muitos avanços em tecnologia, para monitorar parâmetros de produção e produtividade. Determinado tipo de agricultura ou cultivo, promovem as características físicas do solo e ajudam na sustentabilidade do sistema.
Programação variada Durante o Congresso está previsto um painel que discutirá o uso da agricultura de precisão, com objetivo de aumentar a competitividade do sistema agrícola, sem consequências de perdas de solo ou erosão. Segundo os pesquisadores, o desenvolvimento de variedades melhoradas, no sentido de aumentar a competitividade nacional, nas mais diversas culturas, adaptadas às condições dos locais onde serão cultivadas, tendem a reduzir perdas em todo o processo de plantio até a colheita.
Outro enfoque do evento será em relação ao plantio direto. Os pesquisadores já têm visto grandes diferenças entre os dois sistemas: direto ou convencional. O plantio direto proporciona um solo mais rico em termos em microorganismos, que beneficiam as plantas.
Foram inscritos 1.200 trabalhos num total de nove temas, que serão apresentados em painéis, mesas-redondas, workshops, reuniões, entre outras formas. Todos os trabalhos serão apresentados no Centro de Convenções do Colégio Marista, na Avenida Maringá. A expectativa dos organizadores é reunir 1.800 pessoas. Serão ofertados também 14 cursos teóricos e práticos, ministrados nos laboratórios das instituições promotoras do evento.

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