O setor cooperativo de produção agropecuária no Paraná passou por grandes transformações nos anos 90 e essas mudanças devem continuar a curto prazo. ‘‘A tendência é de que produtores se concentrem cada vez mais, em cooperativas ou associações, com objetivo de somar volume de produção e maior poder de negociação de seus produtos’’, avalia Frans Borg, presidente da Castrolanda, cooperativa instalada em Castro, no Sul do Estado, que reúne 500 produtores trabalhando na agricultura, produção de leite e suínos.
Na agricultura, muitas das cooperativas que deixaram de funcionar foram incorporadas por outras. Algumas das que deixaram de funcionar ainda existem no papel, mas a má administração, investimentos em momentos inadequados e sucessivos planos econômicos do País inviabilizaram a continuidade dessas empresas, muitas com pequenas economias.
Enquanto isso, cooperativas com melhor estrutura administrativa e financeira, têm se ampliado. Caso da Corol, de Rolândia; Cocamar, de Maringá; Coamo, de Campo Mourão; Coopavel, de Cascavel; Integrada e Valcoop, de Londrina; Copacol, de Cafelândia; e a própria Sudecoop, de Medianeira, que junto com outras cooperativas integradas é hoje a única central que absorve a produção de suínos de produtores associados a cooperativas.
Parcerias e fusões Um dos setores onde aconteceu maior número de fusões entre cooperativas e empresas privadas foi o leiteiro. Nos últimos anos as cooperativas que trabalham com leite passaram por duas situações: a fusão com empresas privadas, e a união de grandes, pequenas e médias cooperativas, para fazer todo o processo de produção, captação, industrialização e venda de seus produtos, a fim de competir no mercado.
A abertura de mercado no Brasil e a entrada de produtos importados, subsidiados na sua origem, prejudicaram muito os produtores de leite do País. Cooperativas que não tinham estrutura e capital para continuarem competitivas na industrialização de produtos lácteos sofreram queda no rendimento e, por consequência, deixaram de remunerar o que o produtor estava acostumado a receber pelo leite.
Foi preciso encontrar alternativas como as incorporações entre as próprias cooperativas, instalando centrais, que hoje trabalham não só para cooperativas, mas também como parceiras de empresas privadas. Essas parcerias viabilizaram os custos da indústria.
O Paraná tem hoje apenas duas centrais: a Sudcoop, de Medianeira; e a Confepar, de Londrina. A médio prazo espera-se que o Estado tenha apenas uma central, a fim de competir com as empresas privadas do setor leiteiro que estão no mercado, altamente concentrado.
Outra alternativa foi vender parte das ações das cooperativas para empresas privadas a fim de sanear a situação financeira. Ao longo dos anos cooperativas que imobilizaram capital na industrialização ficaram sem fôlego financeiro para continuar investindo e modernizando a produção.
Foi o que aconteceu com as cooperativas do chamado ABC (Arapoti, Batavo e Castrolanda), do Sul do Estado, que montaram a Cooperativa Central de Laticínios do Paraná (CCLP), fabricante dos produtos da marca Batavo.
Dificuldades Com dificuldades de sanear a parte financeira da Central, em 1998 houve uma fusão com a Parmalat e foi montada a Batávia S.A., que manteve a partir de então produtos das marcas Batavo e Parmalat correndo nas mesmas esteiras de produção da indústria. Nesta fusão 51% das cotas ficaram para a multinacional e 49% para a Central. Houve um saneamento financeiro e acesso a capital externo para investimentos.
Hoje 65% do leite que é produzido pelas três cooperativas (um total de 400 milhões de litros/ano) é entregue para a Batávia. O restante, é comercializado em pool para outras empresas por duas das cooperativas donas da central: a Castrolanda e a Batavo.
Segundo Frans Borg, da Castrolanda, vendendo parte da produção para a Batávia e parte para outras empresas, os produtores conseguem reduzir os riscos e ter uma melhor negociação com todas as indústrias. O mesmo acontece com os produtores que trabalham com suínos, associados da Batavo e da Castrolanda, que hoje estão vendendo não só para a Perdigão, que assumiu a parte de embutidos da Batávia, mas também para a Sadia e outras empresas do setor.
De acordo com Frans Borg, mesmo com parcerias e fusões, o sistema cooperativista, que sempre foi o contraponto no setor onde grandes empresas estão dominando o mercado, terá que arrumar alternativas para preservar a atividade do cooperado, especialmente o pequeno produtor, e agregar valor ao seu negócio.

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