Alternativa pode ampliar renda
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sexta-feira, 03 de novembro de 2000
Cláudia Barberato De Londrina 
Há dois anos um grupo de produtores da região de Wittimarsun, no Sul do Estado, decidiu deixar a produção tradicional de leite e passar a fazer o orgânico. As justificativas para as mudanças são muitas, entre elas o desejo de produzir um alimento mais saudável e mais atrativo em termos de mercado.
Segundo o presidente da Associação de Agricultores Ecológicos de Wittimarsun, que faz o leite Bioland, Alvim Warkentin, a produção do grupo ainda é tímida: 1000 litros/dia. Todo o leite é entregue na cooperativa local.
E é aí que começam as dificuldades dos produtores. Eles não podem comercializar o leite rotulado como orgânico, porque não existe autorização do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA), do Ministério da Agricultura (MA), para que isso aconteça. Se fosse rotulado como orgânico, poder-se-ia obter um preço de 30% a 40% a mais.
Cheio de entravesEmbora exista uma instrução normativa de maio de 1999, assinada pelo então ministro da Agricultura, Francisco Turra, que engloba processo de produção e comercialização de produtos orgânicos, técnicos do setor alegam que há falta de pessoas habilitadas para a fiscalização, especialmente no caso do leite na indústria. A informação é do técnico da Emater de Brasília (DF), Joe Carlo Viana Valle, coordenador do Programa de Agricultura Orgânica do Distrito Federal.
Esse é hoje um dos principais entraves para os produtores de orgânicos. Ao que parece, dentro do próprio Ministério da Agricultura não existe entendimento e comunicação entre as diversas secretarias. Já existe uma instrução normativa e o DIPOA não reconhece, não deixa comercializar ou colocar o rótulo de orgânico no leite.
Falta também, lembra Joe Carlo, uma autorização para que um colegiado nacional seja formado. Já existem 9 colegiados estaduais que estão formados para atuar no processo de produção de leite orgânico. Serão esses colegiados que deverão colocar as normas (da instrução normativa do MA) em vigor.
Falta vontadeTanto o técnico da Emater de Brasília (DF), quanto o produtor de Wittmarsun (PR), Alvim Warkentin, acreditam que é a falta de boa vontade para autorizar a rotulagem do produto que está atrapalhando o processo. Joe Carlo e Warkentin estiveram na semana passada em Juiz de Fora (MG), durante um encontro sobre produção de leite orgânico promovido pela Embrapa Gado de Leite. Durante o evento, pesquisadores, técnicos, produtores e outros envolvidos na cadeia produtiva do leite elaboraram uma lista de demandas para a pesquisa, pedidos que os produtores acreditam que irão auxiliá-los na produção orgânica do leite.
CertificaçãoO Brasil tem duas certificadoras oficiais que orientam sobre as regras da produção de orgânicos e garatem a qualidade dos produtos: o Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento (IBD), sediado em Botucatu (SP) e a Associação de Agricultura Orgânica (AAO). de São Paulo, Capital. De acordo com Joe Carlo, o leite orgânico pode ser considerado hoje um produto totalmente rastreado da porteira para dentro.
No Paraná e no Rio Grande do Sul, de acordo com Joe Carlo, também a Associação de Agricultura Orgânica do Paraná (AOPA) e a Colméia, do Rio Grande do Sul, estão atuando na formação e capacitação dos agricultores; aprimoramento tecnológico da produção e comercialização.
Onde existeA produção de leite orgânico, com exceção do Norte, existe em quase todas as regiões do País. É mais desenvolvida no Paraná e Rio Grande do Sul, com utilização predominante da raça holandesa. Há também a produção com girolanda; e o gir leiteiro está despontando como alternativa para regiões mais quentes do Sudeste do Brasil, porque se mostra uma raça mais rústica e resistente a endo e ectoparasitas. Segundo o técnico da Emater de Brasília (DF), o volume de produção total no Brasil é de 15 mil litros/dia.


