Alta nos insumos reduz lucro do leite
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sexta-feira, 18 de julho de 2008
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
A projeção para os preços do leite pagos ao produtor este mês, apresenta uma leve queda. Os valores foram definidos na última terça-feira, durante a reunião do Conselho Paritário de Produtores e Indústrias de Leite do Estado do Paraná (Conseleite-PR). A queda de R$ 0,01 por litro, segundo a secretária do Conselho, Maria Silvia Digiovani, que é engenheira agrônoma da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), reflete uma queda no consumo dos produtos derivados do leite no atacado.
Maria Sílvia diz que não é possível definir as razões dessa diminução no consumo. Ela acredita que haja interferência das informaçãos sobre inflação e alta dos alimentos divulgadas na mídia e de uma queda na renda de algumas camadas da população. ''O índice de queda é muito pequeno e os valores continuam num patamar maior que os registrados em 2007. Não há razões para alarmes'', afirma.
Desde o mês de maio o Conseleite determina dois preços de referência para os três padrões de leite: posto plataforma e posto propriedade. O preço posto plataforma refere-se ao leite entregue na indústria com o frete pago pelo produtor. Já o posto propriedade trata do leite recolhido no sítio com frete pago pela indústria. A mudança, explica a técnica da Faep, atende a uma solicitação dos envolvidos no Conselho e, além de mais transparência, permite ao produtor avaliar melhor os resultados da produção.
Assim, os valores projetados para julho são os seguintes - seguindo a ordem preço plataforma e propriedade respectivamente. Leite acima do padrão: R$ 0,6730 e R$ 0,6394; leite padrão: R$ 0,5852 e R$ 0,5516; leite abaixo do padrão: R$ 0,5320 e R$ 0,4984.
O item que mais pesa no valor pago ao produtor é o leite longa vida, ''o mais comercializado'', justifica Maria Silvia. O valor de referência é calculado com base no preço médio da matéria-prima (leite) a partir dos preços de venda das indústrias dos seguintes derivados lácteos: leite pasteurizado, leite UHT, leite cru resfriado, leite em pó, bebida láctea, iogurte, creme de leite, doce de leite, requeijão, manteiga, queijo prato, queijo mussarela, queijo parmesão e queijo provolone. Esse preço serve de base para a livre negociação comercial entre os produtores e a indústria de laticínios e derivados.
O período, aconselha a técnica da Faep, reforça a necessidade de os produtores investirem no bom gerenciamento da produção, pois, apesar dos melhores preços registrados pelo leite este ano, a rentabilidade está menor que a do ano passado. Mais uma vez a disparada do milho e da soja no mercado internacional reflete no preço da ração e, consequentemente eleva o custo de produção. ''Do custo de produção para um litro de leite, 50% correspondem aos gastos com alimentação'', informa Maria Silvia.
Para o produtor, continua Maria Sílvia, não há alternativas mais baratas para tratar o gado leiteiro, que exige alimentação de qualidade. ''O produtor deve comprar melhor e evitar desperdícios'', orienta.
Quanto à concorrência do leite produzido aqui com o produto vindo de outros estados, destaca Maria Sílvia, não há razões para preocupação. O governo, por meio do Decreto 3015, publicado no último dia 8 de julho, mexeu na cobrança do ICMS. ''A indústria paga menos impostos e consegue vender melhor. Fica difícil para os concorrentes enfrentarem preços mais competitivos'', explica.


