Cristina Côrtes
De Londrina
A elevação dos custos de produção, provocada pelo aumento dos preços dos insumos vinculados ao dólar, devem refletir negativamente sobre o uso de fertilizantes, tratamento de sementes e compra ou troca de máquinas. Segundo o economista do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), Marcos Adami, os aumentos de custos para esta safra são de 21% para o milho, 25% para soja cultivada no sistema de plantio direto, 27% para a soja convencional e 18% para o algodão.
Com este cenário, o agricultor deve ser bastante criterioso para tomar sua decisão. Segundo análises da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), indicadores de mercado mostram que a capacidade de autofinanciamento do sojicultor brasileiro está em torno de 30%. Isto mostra que 70% desses produtores necessitarão de outros aportes para o cultivo da safra 1999/00. Nos últimos anos, o produtor tem usado de criatividade para diversificação de fontes de financiamento e terá que usar mais criatividade ainda nesta próxima safra.
IndicesMarcos Adami explica que os custos de produção são calculados pelo Deral com base nos custos fixos e nos custos variáveis. São considerados custos fixos a remuneração da terra; depreciação de máquinas e benfeitorias; sistematização e correção do solo; remuneração do capital próprio; seguros, taxas e impostos, mão-de-obra. Já os custos variáveis são aqueles desembolsados pelo produtor, para o cultivo.
De acordo com estes cálculos, o custo total da soja cultivada no sistema de plantio direto este ano ficará em torno de R$608,00 por hectare (ha), um aumento de 25%. Quase metade deste aumento foi provocada no período de janeiro a julho deste ano, pela alta dos preços de insumos vinculados ao dólar. Os agrotóxicos usados na cultura tiveram um aumento de 43% e os fertilizantes, 41%. Para a soja no sistema convencional, os cálculos de janeiro a julho de 99 mostram aumento de 23% e o custo total deve ficar em torno de R$660,00/ha.
Marcos comentou também que o aumento de custos não acompanhou o aumento de preços. Comparando-se com o ano passado, o preço pago em 98 foi de R$12,27/saca de soja e em 99 R$13,77/saca, um aumento de apenas 12%.
Milho e algodãoCom o milho a situação não é diferente. A variação de preços dos insumos de janeiro a julho resultou num aumento de 19%. Os fertilizantes usados nessa cultura tiveram um aumento de 33% e os agrotóxicos, 45%. O aumento de preços de um ano para outro também foi menor: R$7,10 em julho de 98 e R$8,18 em julho de 99. O custo total de produção para o próximo plantio de milho deve ficar em torno de R$740,00/ha.
Para o algodão o aumento foi de 18%, com alta dos fertilizantes em torno de 35% e agrotóxicos em 53%. O custo total de produção deve atingir R$1.242,00/ha. O preço pago pela arroba em julho de 98 foi R$6,85 e em julho de 99, R$8,49.
PlantioApesar do aumento de custos, as estimativas para o plantio da safra, divulgados pelo Deral não são muito diferentes do ano passado. Na avaliação da agrônoma Vera Zardo, devem ser plantados este ano 4 milhões e 934 mil ha no Paraná, enquanto no ano passado plantou-se 4 milhões e 935 mil. A diferença é muito pouca, mostrando que a influência dos altos custos deve refletir sobre o uso de tecnologia e não sobre a área. ‘‘O produtor deve racionalizar o uso de insumos. Muitos vão utilizar fórmulas menos concentradas, com menos tecnologia, para economizar’’.
O plantio da soja deve ter uma redução de 2%, com uma estimativa de 2 milhões e 715 mil ha, enquanto no ano passado plantou-se 2 milhões e 770 mil ha. No milho a redução de área chega a 6%. Devem ser plantados 1 milhão e 620 mil ha e em 98 a área foi 1 milhão e 527 mil ha. A redução mais significativa é na área de feijão, com uma estimativa de plantio de menos 9%. O plantio em 99 chega a 460 mil ha, enquanto em 98 foi 406 mil ha.
A manutenção de quase a mesma área cultivada mostra que apesar do aumento de custos o produtor não tem muita alternativa a não ser plantar.‘‘Eu vivo da agricultura, e tenho que plantar de qualquer maneira’’, diz o agricultor Éder Alves de Oliveira, que planeja semear 90 ha de soja e 26 ha de feijão na propriedade que fica no município de Faxinal, no Vale do Ivaí.
O produtor comenta ainda que não vai deixar de usar tecnologia, porque senão cai a produtividade e a remuneração. ‘‘Agora, fora os insumos, não estou fazendo nenhum investimento. Preciso trocar alguns máquinas, mas não pude gastar com nada este ano’’. O produtor ainda tem a expectativa de que o governo possa traçar uma política agrícola, que garanta preços para o produtor.
O comentário do agricultor Éder reflete a situação de uma grande parte dos produtores, que vão manter a mesma área, porque ficar sem plantar pode ser ainda pior.

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