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Londrina

Folha Rural

m de leitura Atualizado em 23/05/2022, 07:11

Alta no milho afeta produtores independentes de suínos

Custo de produção registra alta de 13%, mas preço recebido pela atividade cai 6%; suinocultura se consolidou na região oeste do PR

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de maio de 2022

Lucas Catanho - Especial para a FOLHA
AUTOR autor do artigo

Foto: iStock
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Principal vilão para o aumento nos custos de produção da carne suína, a alta no preço do milho já vem prejudicando produtores independentes do Paraná – aqueles que não estão vinculados a uma indústria ou cooperativa.

Levantamento do Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Secretaria da Agricultura e de Abastecimento do Estado, mostra que o custo médio para a produção de um quilo de suíno vivo no Estado do Paraná era de R$ 6,68 no primeiro trimestre de 2021. Neste ano, no mesmo período, o valor ficou em R$ 7,56, o que representa uma alta de 13%.

Por outro lado, o preço recebido pela atividade caiu 6%. Em 2022, o produtor de carne suína recebeu em média, no primeiro trimestre, R$ 6,10 pelo quilo. Já em 2021, o valor era de R$ 6,51.

Edmar Gervásio, analista do Deral, explica que esse é o cenário para os produtores independentes, que não chegam a somar 20% dos criadores de suínos no Paraná.

“Esses são preços médios, de maneira que uma região que não tem tradição terá um preço recebido muito maior que uma região produtora. Assim, não é possível afirmar que todos os produtores estão nesse cenário”, pondera.

Há 28 anos, a produtora rural Beate Von Staa cria suínos na sua propriedade em Jaguariaíva, na região dos Campos Gerais. Hoje, são criadas 800 matrizes na propriedade, além de uma parceria que cria mais 500 matrizes.

No ano passado, foram comercializadas 2.200 toneladas de suínos. Neste ano, a expectativa é igualar a marca de 2021.

A produtora destaca as dificuldades enfrentadas. “O mercado está péssimo. Em abril deste ano, pagaram R$ 4,50 pelo quilo de suíno vivo. No mesmo mês de 2021, pagaram R$ 6,47”, comparou. A redução do preço em um ano chega a 30%. Os suínos são vendidos para frigoríficos do Paraná e as leitoas para reprodução são comercializadas para todo o Brasil.

Beate destaca que ainda não pretende paralisar a atividade porque está produzindo o próprio grão destinado à alimentação dos suínos, senão já teria parado. “Criar suínos já foi uma atividade lucrativa. Hoje está dando prejuízo.”

A produtora rural dá alguns exemplos de aumento dos custos de produção que vêm dificultando muito a atividade. “Nos últimos três anos, a ração aumentou 152% e o milho, componente da ração, ficou 150% mais caro. Nesse mesmo período, o preço do suíno subiu apenas 42%”, comparou.

INTEGRAÇÃO

O analisa do Deral explica que o produtor de carne suína integrado à indústria tem critérios específicos de remuneração. Com isso, as altas nos custos de produção são mitigadas pela indústria e os impactos são menores para esses criadores.

“Em grande parte, o aumento de custos é absorvido pela integradora que, em geral, tem maior estrutura econômica e pode utilizar mecanismos financeiros de proteção contra a oscilação de custos de parte de seus insumos.”

Apesar do cenário desfavorável em especial para o produtor independente, os consumidores tiveram um alento nos preços neste início de ano.

Os preços médios dos três principais cortes pesquisados pelo Deral (lombo, pernil e paleta) tiveram queda de 5%, 18% e 20%, respectivamente, no primeiro trimestre de 2022, em comparação ao mesmo período do ano passado.

“Esta queda pode estar relacionada ao menor consumo neste período e pela redução das exportações, que acaba por aumentar a disponibilidade interna do produto”, explica.

RIQUEZA

A suinocultura representou 7% do VBP (Valor Bruto de Produção) paranaense em 2020, com um montante de R$ 8,9 bilhões. Comparativamente ao ano anterior, houve um crescimento de 51%. Segundo o analista, esse avanço em termos de valor está relacionado principalmente ao aumento dos preços da proteína.

O técnico destaca que a atividade hoje é consolidada no Estado, no entanto há desafios a serem enfrentados. “Talvez um dos entraves é o sistema logístico brasileiro, com estradas malconservadas sem a estrutura adequada que dificultam o transporte e geram gastos extras com reparo de caminhões e aumento no tempo de transporte.”

O Censo Agropecuário de 2017 aponta que 115 mil propriedades paranaenses tinham alguma atividade de suinocultura naquele ano. Desse total, o Deral estima que em torno de 20 mil desses produtores realizam algum tipo de comercialização. O Censo aponta ainda que cerca de 3 mil produtores possuíam mais de 200 cabeças no plantel.

A suinocultura paranaense se consolidou na região oeste do Estado. Hoje, o maior produtor de suínos é a cidade de Toledo, seguida por Marechal Cândido Rondon e Santa Helena. O VBP produzido pela atividade em Toledo em 2020 alcançou R$ 269,4 milhões.

O Paraná é o segundo maior produtor de carne suína do Brasil, com 21% do total ou 1,02 milhão de toneladas produzidas em 2021, ficando atrás somente de Santa Catarina.