Curitiba - Depois de amargar meses com o preço baixo do leite, a remuneração do produtor começa a melhorar no Estado. Na ponta do varejo, o valor cobrado do consumidor final pesou no bolso e saltou de R$ 1,43 para R$ 2,06, o que representou um reajuste de 44%, segundo levantamento realizado pelo Disque Economia com base nos preços praticados nos supermercados de Curitiba. Em janeiro, a média paga ao produtor era de R$ 0,54 e na primeira semana de junho já atingia R$ 0,63 - uma alta de 16,6%. O técnico da área de leite do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura (Seab), Fábio Mezzadri, explica que o preço em alta no varejo pressiona para remunerar melhor o produtor.
Ele calcula que, de janeiro a maio, o preço pago ao produtor subiu 9,25%. Na média do Estado, o consumidor pagava R$ 1,61 em janeiro e R$ 1,84 em maio, o que mostra uma escalada de preços de 14%. Mezzadri acredita que o preço ao produtor deve estabilizar agora neste patamar mais alto que está. Ele também prevê que o valor nas prateleiras dos supermercados não deve subir mais.
Na última terça-feira, o Conseleite-Paraná - associação que reúne representantes de produtores e indústrias - estabeleceu como preço de referência para o leite padrão no Estado R$ 0,65 para o produto entregue na plataforma da indústria e R$ 0,61 para o leite vendido diretamente na propriedade rural. A projeção para junho já atinge R$ 0,71 e R$ 0,67, respectivamente para o leite na plataforma e na propriedade.
O preço de referência é um valor médio da matéria-prima calculado a partir dos preços de venda, das indústrias participantes do Conseleite, dos derivados leite pasteurizado, leite UHT, leite cru resfriado, leite em pó e outros 10 derivados. O valor serve de base para a livre negociação comercial entre os produtores e a indústria de laticínios e produtos derivados.
Mezzadri destaca que muitas indústrias aceitam o preço calculado pelo Conseleite. Ainda assim, o produtor continua recebendo valores baixos ''menores que um litro de água mineral ou de refrigerante''. Com as baixas temperaturas, os custos do produtor subem com a alimentação dos animais e medicamentos.
O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Paraná (Sindileite), Wilson Thiesen, afirma que sobre o preço do produtor ainda é colocado de R$ 0,35 a R$ 0,40 de custo de embalagem, impostos, transporte, custo de comercialização e o lucro do varejo. Ele destaca que, quanto mais sobe o preço que as indústrias vendem para o varejo, melhor o produtor é remunerado. Segundo ele, a maioria do leite do Paraná é vendido com valores acima do produto padrão e o mais comum é pagar um ágio de 15% sobre o valor básico.
O produtor de leite da Lapa, José Elias Monteiro Hoffmann, lembra que no início do ano recebia R$ 0,58 pelo litro do produto e agora o valor subiu para R$ 0,70. Ele acredita que um preço justo seria entre R$ 0,80 e R$ 0,90 e prevê que o valor suba ainda mais. Com a estiagem, a produção dele caiu pela metade e hoje atinge 450 litros por dia.
Hoje, o Estado produz 2,5 bilhões de litros de leite por ano, o que significa 11% da produção nacional. O Paraná é o terceiro Estado produtor e só perde para Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Segundo informações do Ipardes, hoje existem 114.587 produtores no Paraná. O número de indústrias do setor chega a 300.

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