Alta do dólar e do milho impacta no custo da produção

O Deral estima que a produção de 2016 fechará um pouco abaixo dos 4,5 bilhões de litros de leite no Estado. No último relatório da entidade, é citado que as geadas do início de junho atingiram algumas áreas de lavouras de milho destinadas à silagem. Já as pastagens de inverno (aveia a azevém) também não se desenvolveram bem, principalmente devido ao excesso de chuvas logo após o plantio.
O milho é um dos principais componentes da dieta das vacas, o aumento das exportações da commodity maior registrado na história refletiram diretamente no custo de produção do cereal. Outro ponto que influenciou (em menor grau) foi as exportações de lácteos do Estado nos primeiro cinco meses do ano: aumento de 73%, de 525 para 907 toneladas.
O médico veterinário do Deral responsável pelo levantamento, Fábio Mezzadri, comenta que no Estado existem relatos de altas de até 50% nos custos de produção da pecuária leiteira devido à "alta do dólar e disparada do milho". "O inverno chegou muito cedo e castigou as pastagens, pegando os produtores desprevenidos e forçando uma alimentação suplementar. Outro ponto é que a captação de leite fica muito difícil devido às chuvas intensas", salienta.
Para Mezzadri, o produtor paranaense, de modo geral, não está numa boa situação. Ele não tem dúvidas de que a alta dos custos de produção é bem superior à elevação que a indústria, de forma geral, tem pago pelo litro de leite que sai da propriedade. "Os preços do litro não acompanharam os custos. O que nós temos é uma conjuntura de fatores que não são favoráveis para a atividade, principalmente devido a esse problema da alimentação dos animais", complementa. (V.L.)





