Alta do dólar aumenta confiança na soja
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sexta-feira, 09 de agosto de 2002
Vânia Casado<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Pelo terceiro ano consecutivo as cotações da soja vêm sendo favorecidas pelo câmbio, o que faz com que aumente a preferência do agricultor pelo grão. No Paraná o produtor vem manifestando essa preferência, diante da consolidação do sistema de plantio de soja no período normal de safra e do plantio de milho safrinha, durante o início do inverno.
O plantio de soja começou a se intensificar no Paraná, há 10 anos, com o advento da Lei Kandir que desonera o pagamento do ICMS das exportações de produtos primários e semi-elaborados. ''Essa lei deu um grande impulso ao plantio, porque elevou significativa as exportações'', lembra o engenheiro agrônomo Otmar Hubner.
Depois disso, a opção em plantar o milho safrinha a partir da década de 90, liberou o produtor para aumentar o plantio de soja no período normal de safra. Esse modelo permite que o agricultor mantenha a rotação de culturas entre milho e soja, necessária para evitar o esgotamento do solo, e ainda permite que o Paraná seja destaque na produção de milho e soja, que são os grãos mais disputados no mercado atualmente, acrescentou o técnico.
''Por fim, a desvalorização do real só confirma essa opção'', lembrou Hubner. A cada ano, o plantio e produção de soja vem obtendo recordes sucessivos. Para a safra 2002-2003, a área ocupada passa para 3,41 milhões de ha, que corresponde a um crescimento de 120 mil ha sobre o plantio da safra passada. A produção, que no ano passado atingiu 9,4 milhões de t, deve ultrapassar 10 milhões de t este ano, acredita o técnico.
Este quadro mostra que o agricultor paranaense domina as técnicas para o plantio de grãos. Para Hubner, o agricultor é consciente em relação ao uso de tecnologia e quem não sabe aplicar essas técnicas, recorre ao auxílio da assistência técnica, disse. ''No Paraná, é bastante comum o agricultor fazer uso da técnica para elevar o rendimento de sua área'', disse o técnico.
Mesmo na região onde não havia tradição no plantio de soja, como a região Noroeste, as rentabilidades ali obtidas revelam que o agricultor aplica tecnologia. Segundo levantamento do Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral), as rentabilidades obtidas na região Noroeste estão próximas da média estadual. Na safra passada, o plantio de soja em Umuarama apresentou rentabilidade de 2.866 kg/ha em Paranavaí, 2.750 kg/ha. Já a media do Estado é de 2.860 kg/ha.
Com o aumento no plantio, o complexo soja tem liderado as exportações da balança comercial do Estado. De uma exportação total de US$ 5,31 bilhões registrada em 2001, o complexo soja foi responsável pela exportação de US$ 1,66 bilhão, que corresponde a uma participação de 31,3% na balança comercial do Estado.
Só no mês de julho houve um incremento de 23% nas exportações, que passaram de 607,6 mil t no ano passado para 748,4 mil t o mesmo mês este ano. A exportação de farelo de soja teve um incremento de 22%, passando de 484,6 mil t no ano passado, para 591 mil t este ano.
Preço dos insumos - Se está havendo euforia no plantio e exportação de soja, em função da desvalorização cambial, por outro lado, está havendo preocupação com o custo dos insumos. Os produtores estão pagando mais pelos produtos, também em função das cotações elevadas da moeda norte-americana. Para esta safra, o custo de produção estimado pelo Deral é de R$ 19,00 a saca, enquanto que o produto está sendo vendido entre R$ 29,00 e R$ 30,00 na zona de produção.
Segundo Hubner, o produtor se preocupa com a elevação dos custos de produção. Mas ele não descarta o plantio de soja porque historicamente as lavouras têm apresentado rentabilidade positiva. Nos últimos anos, essa rentabilidade tem atingido 50%, calculou o técnico.
Inclusive as importações de insumos que sustentam as lavouras têm aumentado. No Porto de Paraguá, a importação de fertilizantes quase dobrou este ano em relação ao ano passado, quando as importações já foram consideradas elevadas. Durante o período janeiro a julho deste ano foram importadas 2,33 milhões de t de fertilizantes, contra 1,55 milhões de t importadas no mesmo período do ano passado. Só no mês de julho deste ano, foram importadas 534.337 t de fertilizantes, contra 395.301 t importadas em julho do ano passado.


