Alta da semente assusta produtores
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sábado, 03 de fevereiro de 2001
Cláudia Barberato De Londrina 
Dois fatores podem colaborar este ano para a redução da área do milho safrinha no Paraná: o alto custo das sementes e a queda no preço do grão. A cotação atual do produto no mercado é em média R$7,50 a saca, enquanto o custo de produção fica em R$10,80. Por outro lado, as sementes estão sendo comercializadas por um valor maior do que na safra passada.
No ano passado foram plantados 1.133.616 hectares. Esse ano a primeira intenção de plantio registra tendência de uma ligeira queda, com área prevista em 979.908 hectares, segundo dados do Deral/Seab. O Norte do Paraná concentra a maior produção de safrinha, com 35%, seguido do Oeste, com 32%, Centro-Oeste com 17% e 8% no Sudoeste.
Diferente do que ocorreu no ano passado espera-se um comportamento normal do clima contribuindo para o bom desenvolvimento das lavouras. Na safra passada o milho enfrentou geada, seca e a quebra, em algumas regiões, foi superior a 60%. Caso da região de Sertanópolis, que todo ano concentra uma das maiores áreas de milho safrinha do Estado. Nesta região, a produtividade na safra 99 ficou em 3250 kg/ha e em 2000, em função do clima e a quebra, produziu-se pouco mais de 600 kg/ham segundo Deral/Emater.
Importação prejudicouCom a quebra na safra do milho, não só no Paraná, mas em outras regiões produtoras, e temendo a falta de milho no País o Governo, segundo os agricultores, incentivou o cultivo da cultura no verão. Os agricultores responderam ao apelo e o Governo não apresentou garantias de bom preços para a produção.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Londrina e membro do Conselho Nacional de Grãos para o Paraná, Edison Ponti, o produtor de milho e toda a cadeia que trabalha na produção de proteína animal, que usa o produto, foi altamente prejudicada pela importação do produto no final do ano passado.
Temendo escassez, o Governo, segundo ele, estimulou a produção e, ao mesmo tempo, importou o grão. A importação, feita em novembro e dezembro de 2000, foi de aproximadamente 2 milhões de toneladas a preço de R$15,50 a saca, enquanto no Brasil o milho estava custando entre R$12/sc e R$ 13/sc.
A importação, segundo Ponti, foi mais uma tentativa de baixar o preço no mercado interno no mesmo nível do preço mímino, por volta dos R$ 7. A produção nacional de milho foi 38 milhões de toneladas e a importação serviu para achatar ainda mais o preço.
Redução da safrinha A diferença entre o preço do produto no mercado e seu custo de produção deverá afastar os produtores da cultura esse ano. Fora isso, há expectativa de colher nos próximos dias uma boa safra de milho verão, o que representa maior oferta no mercado e, consequentemente, queda do preço.
Outro agravante está nos preços das sementes para a safrinha a ser plantada. Segundo os produtores, o valor das sementes foi reajustado pelas indústrias produtoras, enquanto o milho não remunerou bem, depois de um ano de frustração da safrinha. Estimulados pela possibilidade de menor oferta e preços melhores, os produtores investiram na safra de verão e estão desapontados com a atual cotação de preços.
De acordo com levantamento do Sindicato Rural de Sertanópolis, uma das regiões que mais cultiva a safrinha no Estado (22,5 mil hectares nos últimos dois anos), a mesma semente que no ano passado foi adquirida por R$68 a saca (C901), este ano está sendo vendida a R$122,50. Outro tipo, C909, que custou em 2000 R$95, está sendo ofertada por R$144,85, registrando alta de 51%.
Produtores reclamam O presidente do Sindicato de Sertanópolis, Mario Zanetta, garante que muitos agricultores têm procurado a entidade para reclamar da alta dos insumos da cultura, sobretudo da semente.
Segundo o dirigente, os produtores esperavam, como clientes fiéis, que as indústrias de sementes oferecessem um bônus para o agricultor que está descapitalizado com a perda do ano passado. O sindicato, segundo Zanetta, está se mobilizando também junto de outras entidades, para que as indústrias apresentem uma planilha de custos a fim de explicar o valor da semente.
Baixa tecnologia Após a colheita da soja, que deverá começar em março, já será hora de plantar o milho safrinha a ser colhido em agosto. O produtor Antônio Luiz Bortholazzi, de Sertanópolis, já comprou um pouco de sementes de milho, mas promete esperar mais, na esperança de baixa no preço.
A semente que o produtor comprou é do tipo que demanda baixa tecnologia e poucos investimentos. Ela também terá uma produtividade menor. Bortholazzi acredita que na sua região, quem for cultivar a safrinha deverá investir menos dinheiro este ano. Tem gente falando em plantar a soja, depois da colheita do verão, ou até mesmo só uma cobertura verde.
Soja no lugar Alguns agricultores que plantaram o milho mais cedo estão voltando com a soja no lugar, num plantio tardio de verão. Outros prometem dividir a área com um pouco de milho e o restante de aveia preta. É o caso do produtor João Moreira da Silva Sobrinho. Ele planta todo ano 80 alqueires na safrinha e compra a semente antecipadamente. Este ano ainda não comprou.
De acordo com o produtor Antônio Bortholazzi, o custo da semente híbrida, tradicionalmente utilizada para o cultivo na safrinha na sua região, tem ficado entre R$115 à vista ou R$129 para pagamento em outubro. A semente híbrida pode variar de R$50 a R$180 a saca. Ela é mais produtiva, mas requer maiores investimentos também em adubo, uréia e outros. Como o preço do milho está baixo esse ano não deverá compensar gastar muito com a lavoura, por isso os produtores deverão plantar um milho de menor tecnologia e rendimento, prevê Bortholazzi.


